Simbolismo
Gauguin simbolista
Gauguin simbolista

O Simbolismo é originário da França e se iniciou com a publicação de As Flores do Mal, de Baudelaire, em 1857. Nome inicial: Decadentismo.
Marcadamente individualista e místico, foi com desdém apelidado de "decadentismo" - clara alusão à decadência dos valores estéticos então vigentes e a uma certa afetação que neles deixava a sua marca. Em 1886 um manifesto traz a denominação que viria marcar definitivamente os adeptos desta corrente: simbolismo.
Marcadamente individualista e místico, foi com desdém apelidado de "decadentismo" - clara alusão à decadência dos valores estéticos então vigentes e a uma certa afetação que neles deixava a sua marca. Em 1886 um manifesto traz a denominação que viria marcar definitivamente os adeptos desta corrente: simbolismo.
Bases Filosóficas
Kiekegaard – o homem passa por três estágios em sua existência – estético (presença do novo), ético (gravidade e responsabilidade da vida) e religioso (relação com Deus). Bergson – não é a inteligência que chega a compreender a vida. É a intuição.
Simbolismo em Portugal
Em Portugal, o Simbolismo tem início em 1890, com o livro de poemas de Eugênio de Castro, Oaristos, e com revistas acadêmicas, Os Insubmissos e Boêmia Nova, cujos colaboradores eram Eugênio de Castro e Antônio Nobre. Portugal passou por crise econômica entre os anos de 1890 e 1891, descrédito em sua monarquia e assim como ocorrera com o Simbolismo brasileiro, a literatura simbolista portuguesa foi influenciada pela França, berço do Simbolismo. Nesta época surge o grupo “Os Vencidos da Vida”, formado por Eça de Queirós, Guerra Junqueira e outros escritores que tinham uma visão depressiva e melancólica da realidade.
Características
Os autores voltam-se à realidade subjetiva, às manifestações metafísicas e espirituais, abandonadas desde o Romantismo. Buscava a essência do ser humano, a alma; a oposição entre matéria e espírito, a purificação do espírito, a valorização do inconsciente e do subconsciente.
Os simbolistas terão maior interesse pelo particular e individual do que pela visão mais geral. A visão objetiva da realidade não desperta mais interesse, e sim está focalizada sob o ponto de vista de um único indivíduo. Dessa forma, é uma poesia que se opõe à poética parnasiana e se reaproxima da estética romântica, porém mais do que voltar-se para o coração, os simbolistas procuram o mais profundo do "eu", buscam o inconsciente, o sonho. Os temas são místicos, espirituais, ocultos.
Musicalidade: música, a mais importante de todas as artes. “A música antes de tudo.” Aliterações, assonâncias, onomatopéias, sinestesias
A musicalidade é uma das características mais destacadas da estética simbolista, segundo o ensinamento de um dos mestres do simbolismo francês, Paul Verlaine, que em seu poema "Art Poétique", afirma: "De la musique avant toute chose..." (" A música acima de tudo...") Para conseguir aproximação da poesia com a música, os simbolistas lançaram mão de alguns recursos, como por exemplo a aliteração, que consiste na repetição sistemática de um mesmo fonema consonantal, e a assonância, caracterizada pela repetição de fonemas vocálicos
Linguagem vaga, imprecisa, sugestiva: não mostrava as coisas, apenas as sugeria.
Negação do materialismo: reação ao materialismo e ao cientificismo realista. Retorno à mentalidade mística: comunhão com o cosmo, astros. Esoterismo.
Maiúsculas alegorizantes: personificação.
Mergulho no eu profundo: nefelibatas – habitantes das nuvens.
Características da linguagem simbolista
1. As características da linguagem simbolista podem ser assim esquematizadas:
2. Linguagem vaga, fluida, que prefere sugerir a nomear.
3. Utilização de substantivos abstratos, efêmeros, vagos e imprecisos;
4. Presença abundante de metáforas, comparações, aliterações, assonâncias, paronomásias, sinestesias;
5. Subjetivismo e teorias que se voltam ao mundo interior;
6. Antimaterialismo, anti-racionalismo em oposição ao positivismo;
7. Misticismo, religiosidade, valorização do espiritual para se chegar à paz interior;
8. Pessimismo, dor de existir;
9. Desejo de transcendência, de integração cósmica, deixando a matéria e libertando o espírito; Um dos princípios básicos dos simbolistas era sugerir através das palavras sem nomear objetivamente os elementos da realidade. Ênfase no imaginário e na fantasia. Para interpretar a realidade, os simbolistas se valem da intuição e não da razão ou da lógica. Preferem o vago, o indefinido ou impreciso
10. Interesse pelo noturno, pelo mistério e pela morte, assim como momentos de transição como o amanhecer e o crepúsculo; Interesse pela exploração das zonas desconhecidas da mente humana (o inconsciente e o subconsciente) e pela loucura.
Observação: Na concepção simbolista o louco era um ser completamente livre por não obedecer às regras. Teoricamente o poeta simbolista é o ser feliz.
UM POUCO DA ARTE SIMBOLISTA:
http://www.youtube.com/watch?v=aLZf6Ap0ooI&feature=related
Alguns Autores e Obras
Camilo Pessanha (1867-1926)
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É considerado o mais simbolista dos poetas da época. Autor de apenas um livro: Clepsidra influenciou a geração de Orpheu, que iniciou o Modernismo em Portugal. Passou grande parte da vida em Macau (China), tornando-se tradutor da poesia chinesa para o português.
Autor considerado de difícil leitura, pois trabalha bem a linguagem. No seu livro predomina o estranhamento entre o eu e o corpo; o eu e a existência e o mundo. Em sua obra, Clepsidra, Camilo Pessanha distancia-se de uma situação concreta e pessoal, e sua poesia é pura abstração.
Autor considerado de difícil leitura, pois trabalha bem a linguagem. No seu livro predomina o estranhamento entre o eu e o corpo; o eu e a existência e o mundo. Em sua obra, Clepsidra, Camilo Pessanha distancia-se de uma situação concreta e pessoal, e sua poesia é pura abstração.
Antônio Nobre(1867-1900)

Obras: Só (Paris, 1892), Despedidas (1902), Primeiros versos (1921), Correspondência.
É simbolista, mas não tem seus cacoetes. Considerado como nacionalista e romântico retardatário. Antônio Pereira Nobre exaltou a vida provinciana do norte de Portugal, por influência de Garrett e de Júlio Dinis. A sua poesia manifesta rica musicalidade rítmica e linguagem com um falar cotidiano e coloquial, além do pessimismo.
Eugénio de Castro e Almeida (1869-1944)

Novas rimas, novas métricas, aliterações, versos alexandrinos, vocabulário mais rico, ele expõe no prefácio – manifesto de Oaristos. Na fase neoclássica apresenta temas voltados à antigüidade clássica e ao passado português (profundamente saudosista).
Florbela Espanca (1894-1930)

Teixeira de Pascoaes (1877-1952): é o pseudônimo de Joaquim Pereira Teixeira de Vasconcelos. Deixou obras de cunho filosófico e biografias. De seus livros de poesias citam-se Maranos, Regresso ao Paraíso, Sempre, Terra Proibida, Elegias.
Raul Brandão (1867-1930): literatura forte e dramática. A sua melhor produção está na prosa de ficção: A Morte do Palhaço e o Mistério da Árvore, A Farsa, Os Pobres, Húmus, O Pobre de Pedir.
Cronologia do Simbolismo em Portugal
Período: século XIX e XX
Início: 1890 - Publicação de Oaristos, de Eugênio de Castro.
Fim: 1915 - Surgimento da Revista Orpheu, inaugurando o Modernismo.
Início: 1890 - Publicação de Oaristos, de Eugênio de Castro.
Fim: 1915 - Surgimento da Revista Orpheu, inaugurando o Modernismo.
Fato histórico importante: em 1910 o movimento republicano, apoiado pela Inglaterra, é vitorioso.
Soneto
(Antônio Nobre)
Ó Virgens que passais, ao Sol-poente,
Pelas estradas ermas, a cantar!
Eu quero ouvir uma canção ardente,
Que me transporte ao meu perdido Lar.
Cantai, nessa voz onipotente,
O Sol que tomba, aureolando o Mar,
A fartura da seara reluzente,
O vinho, a Graça, a formosura, o luar!
Cantai! cantai as límpidas cantigas!
Das ruínas do meu Lar desterrai
Todas aquelas ilusões antigas
Que eu vi morrer num sonho, como um ai,
Ó suaves e frescas raparigas,
Adormecei-me nessa voz... Cantai!
Interrogação
(Camilo Pessanha)
Não sei se isto é amor.
Procuro teu olhar,
Se alguma dor me fere, em busca de um abrigo;
E apesar disso, crê! Nunca pensei num lar
Onde fosses feliz, e eu feliz contigo.
Por ti nunca chorei nenhum ideal desfeito.
E nunca te escrevi nenhuns versos românticos.
Nem depois de acordar te procurei no leito
Como a esposa sensual do Cântico dos Cânticos.
Se é amar-te não sei. Não sei se te idealizo
A tua cor sadia, o teu sorriso terno...
Mas sinto-me sorrir de ver esse sorriso
Que me penetra bem, como este sol de Inverno.
Passo contigo a tarde e sempre sem receio
Da luz crespuscular, que enerva, que provoca.
Eu não demoro a olhar na curva do teu seio
Nem me lembrei jamais de te beijar na boca.
Eu não sei se é amor. Será talvez começo...
Eu não sei que mudança a minha alma pressente....
Amor, não sei se o é, mas sei que te estremeço,
Que adoecia talvez de te saber doente.
Fontes:
www.portrasdasletras.com.br/
www.infoescola.com
www.instituto-camoes.pt/
www.portrasdasletras.com.br/
www.infoescola.com
www.instituto-camoes.pt/
Daiane da Silva Nascimento RA 118169
Débora C. Martins Rodrigues RA 118482
Quezia S. Anacleto da Costa RA 136381
Vivian T. de Souza Lima RA 110345
18 comentários:
O simbolismo é um dos períodos literários de que mais gosto,porque gosto muito de poesia, principalmente quando ela não é objetiva e temos que encontrar o sentido por trás das palavras.
É isso que me atrai no simbolismo, a sugesão, a difícil leitura por ser a linguagem tão bem trabalhada, além de ser muito musical.
Já estudei bastante sobre os simbolistas brasileiros, Cruz e Souza e Alphonsus de Guimarães, mas até hoje pouco havia visto sobre os simbolistas portugueses.
O que mais gostei foi o poema Interrogação.
Parabéns ao grupo pelo trabalho enriquecedor.
Camila O. M. RA: 110335
Por que será que os franceses sempre estão na frente da corrida pelo desbravamento das artes e concepções de mundo? Acho que é porque eles valorizam a arte mais que os outros e não tem "papas na língua", são ousados e inovadores, assim toda corrente artística tem uma pitada francesa.
O simbolismo é uma dessas modas. Nada mais sugestivo e subjetivo. Uma escrita confusa, cheia de metáforas e imagens pesadas, e que muitas das vezes, temos um trabalhão para entender.
Lembro que o grupo da Camila Osti apresentou um trabalho, que foi ótimo, mas não tinha visto muita coisa do simbolismo português.
O que achei interessante é que sempre há uma eterna luta do que é espiritual e material, assim o antimaterialismo, anti-racionalismo, faz oposição a religiosidade e misticismo. Um atitude interessante para um século de inovações e descobertas científicas.
Acho que vamos sempre ver poetas e homens nesse eterno conflito! Uns querendo a modernidade, outros a paixão pela arte; um com o "olho no peixe e outro no gato"!!
Muito bem meninas! Vocês mostraram uma coisa diferente, que se falou pouco, de forma responsável e com visão de pesquisa.
Parabéns!
Olá, meninas muito bom o trabalho de vocês não conhecia muito o Simbolismo português só algumas poesias da Florbela Espanca a poesia que mais gosto dela é "Inconstância" , bom adoro metaforas, coisas que falam sobre metafísica não teria porque não gostar do Simbolismo tem essas descrições admiro muito a poesia Simbolista;e a poesia que eu não conhecia que mais gostei foi "interrogação" (Camilo Pessanha).
A busca da alma, do sonho, a musicalidade e a utilização de metáforas são algumas das características que tornam o Simbolismo tão atraente.
Raquel, RA 119567
Há quem ache que os autores simbolistas brasileiros são "poetas que vivem em torres de ametista" e há aqueles cuja sensibilidade é suficiente para compreender as encantadoras poesias produzidas nesse período, a qual eu particularmente aprecio muito. O grupo foi perfeito ao pontuar as influências e trazer um vídeo sobre os pintores desse movimento - destaco aqui minha particular afeição pelas obras de Gustav Klimt - afinal ajuda bastante a entender o período como um todo. O ponto alto para mim foi também o vídeo sobre Florbela Espanca. PARABÉNS. Excelente trabalho.
Evelise Thaís Bella - 118672
O grupo está de parabéns pelo excelente trabalho sobre o Simbolismo.
Nalzir
RA 147567
Confesso que nunca estudei esse período, não o conhecia. Adorei o trabalho de vocês meninas, com certeza vou procurar saber mais sobre essa escola literária. Parabéns!!!
Érika
RA 133847
Este comentário foi removido pelo autor.
Como disse Baudelaire, é preciso embriaguar-se para não se tornar escravo da vida.
Parabéns pelo trabalho!
Sarah Pinheiro - 111034
Particularmente gosto muito de poemas, artigos, qualquer texto com metáforas, porque o previsível o óbvio são muitos chatos!!!
Li "Um sonho" de Eugênio de Castro e amei!
Belo trabalho!!! Obrigada por nos enriquecer ainda mais!
Andreia Cristina Soares RA 110627
Parabéns pelo trabalho enriquecedor!! Também não conhecia o simbolismo português , o que me atraiu foi a concepção de mundo mais espiritualista e antimaterialista. Maria P C Costa RA 151430
Meninas, primeiramente Parabéns pelo trabalho!
Apesar de não apreciar muito o Simbolismo, por achá-lo extremamente depressivo, gostei muit do trabalho, pois acrescentou muito ao meu conhecimento.
Contudo, há quem diga que poesia é um estado de espírito, então, quem sabe um dia o Simbolismo passe a fazer parte de algum momento de minha vida. Espero que não... rs.
Rafael Leão de Moura - RA 118818
Meninas, parabéns pelo trabalho e por abordar com tanta propriedade o Simbolismo dentro da literatura portuguesa.
Fantástico o vídeo sobre a Florbela Espanca!
Edeli Barbosa
O simbolismo é de grande riqueza. A busca pelo espiritual, a alma. Uma das característica sque eu gosto muito nesse período é a musicalidade nas poesias usando recursos com a aliteração e a assonância (repetição de fonemas consonantais e vocálicos)e também a linguagem sugestiva no qual temos que entender além das palavras.
Parabéns meninas! Adorei!
Excelente escolha: Interrogação (Camilo Pessanha)
Primeiramente, parabéns ao grupo.
O Simbolismo é interessante porque busca a essência do ser humano, da alma, nos traz uma outra visão da realidade, num lado mais espiritual.
Ser realista é importante, mas cuidar da alma, na minha opinião é mais importante ainda.
Rejane Ap. Leite - RA: 110652
O trabalho ficou muito bom, confesso que até então não tinha ido muito a fundo neste periodo, foi um trabalho muito enriquecedor. Pude notar que, de certo modo é um tipo de poesia que particularmente gosto, já que os autores voltam a realdade subjetiva, retomam algumas caracteríticas abandonadas desde o Romantismo, que é um periodo que admiro.
Camila Lambstain
RA 110438
O Simbolismo redescobre e redimenciona a subjetividade, o sentimento, a imaginação, a espiritualidade; busca desvendar o subconsciente e o inconsciente nas relaçoes misteriosas e transcendentes do sujeito humano consigo próprio e com o mundo. Parabéns ao grupo!!!!
Subjetividade, tratamento diferenciado às dores da alma, introspecção. Simbolismo é tudo que remete ao mais profundo dos sentimentos, traduzindo-os em palavras, em pinturas. Florbela Espanca é de uma sensibilidade ímpar, magnífica na escolha de palavras, com uma vida que confunde-se à própria obra. Sou muito fã dessa escritora, me identifico muito com o Movimento. Parabéns ao grupo!
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