terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Utopia?



vida deveria ser assim:


simples e singela,
cheia de devoção para com tudo que é vivo,
andar devagar sobre a imensidão
ora azul, ora estrelada e límpida do céu,
agradecer por isso e vivê-la plenamente!

©Wagner Ortiz
 © Todos os direitos reservados



Professor

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O galinheiro e o pinto


O galinheiro e o pinto

No galinheiro...
Um pinto entrando,
O pinto saindo,
O pinto entrando,
O pinto saindo,
O pinto entrando,
O pinto saindo,
Um pinto entrando,
O pinto saindo um menino.
© Todos os direitos reservados a Wagner Ortiz





quinta-feira, 26 de novembro de 2009

A Música e o músico

o que fico inconformado (ainda) é que aprendi sozinho, nunca tive um livro de harmonia, nem contraponto, nem orquestração (antes tivesse), agora foi tudo perdido. Tento esquecer, mas como disse não dá pra esquecer essa música que sai da minha alma. E agora não sei o que fazer com ela, está acabando comigo. Elas vem, mas agora, desacreditado de mim, não tenho mais vontade de escrevê-las por saber que ficarão mortas! É triste!
Músicas mortas, pra que servem?

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Ideias de Edson Aran


Não é um absurdo uma idéia sem acento!?

A coisa mais sem tento da tonta da reforma
A reforma ortográfica está na moda, mas é coisa que nem me incomoda.
A língua, língua mesmo, língua de verdade, ganha vida é na cidade, nas ruas, deixando palavras nuas, percorrendo expressões de cima a baixo, canibalizando estrangeirismos e deletando barbarismos.


Só um troço me irrita: a ideia sem acento.
Uma ideia sem acento é coisa sem tento, uma ideia aérea, um devaneio sem esteio. Sem acento, a ideia não se assenta.
Tenta, inventa, mas não acrescenta. Polemiza, mas não se concretiza.


Ideia precisa ser concreta ou fica pateta feito letra do Djavã.
Tola, confusa e vã. É o acento que torna a ideia aguda, talvez arguta, venenosa como um copo de cicuta.


Onde já se viu ideia sem acento?
Coisa mais sem talento: deixar a palavra completamente afônica sem uma sílaba tônica! Uma ideia platônica.
Os acadêmicos se excitam colocando e retirando acento, mas, convenhamos, foi uma idéia de jumento.


Lamento, mas é a ideia que move o mundo.
Merecia mais respeito desse bando vagabundo. Ideia sem acento é uma ideia atéia, à toa, plebéia.
Não voa. Basta olhar e comprovar: a palavra não fica boa.


Agora escrevemos tudo igual, ainda que muito mal.
Um e-mail de Macau pode ser lido na Guiné-Bissau,
Angola, Goa e Broa. Timor, Torpor e Estupor. Cabo Verde, Sargento Azul e Coronel Mostarda. Mandrake, Lotar e Barda. Bulhões, Camões e a Quinta dos Cagalhões.


Mas nunca – jamais – as ideias serão iguais.
Acadêmicos do Brasil e de Portugal: mexam na língua, já que não podem mexer o pau.
Mas devolvam à idéia, o acento.
O resto? Mudem a contento. Isso eu até agüento. Não mexam, porém, no que vocês não têm: a ideia é nossa e de mais ninguém.

A IDEIA SEM ACENTO
A coisa mais sem tento da tonta da reforma
Por Edson Aran

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O Elefantinho e o Flautista




Essa história renderá um conto:

A foto é de meu amigo Toninho Carrasqueiras em turnê pela África. 
Tocando a flauta para os elefantinhos eles o agarram. Sintonia com a natureza que precisamos!!! 
Ele tem outra história, quando tocou no Peru em Machu Pichu, 
um beija-flor pouso em sua flauta enquanto tocava para Pacha Mama!!! 
Novamente, sintonia com a natureza!!!


Visite o site dele:


 http://www.kuarup.com.br/br/art_cada.php?art=53489630 (CDS)
http://www.discosdobrasil.com.br/discosdobrasil/consulta/detalhe.php?Id_Disco=DI03010 (choro)
http://ckuik.com/Toninho_Carrasqueira (videos)

Um abraço!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Classicismo

Classicismo






CONTEXTO HISTÓRICO-SOCIAL


o Renascimento foi um amplo movimento econômico/ cultural e científico/ surgido na Itália/ em fins da Idade Média/ e que rapidamente se espalhou por toda a Europa/ onde se vivia sob o seguinte contexto: necessidade de caminhos marítimos para o Oriente/ em busca de especiarias; grande avanço científico/ que proporcionou as grandes navegações; a nova concepção do homem e o questionamento de algumas práticas da Igreja Católica. Nesse período/ houve um notável florescimento das artes/ que substituíram o primitivismo medieval pela noção de perspectiva/ pela multiplicação das cores e pelo maior equilíbrio com que as formas humanas passaram a ser retratadas. Desse mesmo modo/ a literatura clássica também refletiu um espírito novo/ mais centrado no ser humano/ nos seus problemas e nas suas conquistas. Essa visão antropocêntrica/ na verdade/ não surgiu pela primeira vez no Renascimento/ pois os antigos gregos já tinham construído uma sociedade baseada nela. Daí o nome Renascimento - uma associação ao ressurgimento de alguns valores que haviam caracterizado a cultura greco-romana clássica.
À luz dessas idéias, iniciou-se, no século XVI, o movimento literário chamado Classicismo.
Em Portugal, o Classicismo teve como marco inicial o ano de 1527, com o retorno de Sá de Miranda da Itália, e como marco final, 1580, ano em que Portugal passou para o domínio espanhol. Sá de Miranda traz até seu país um novo ideal de poesia: a medida nova - os sonetos de versos decassílabos, já cultivados por Dante Alighieri e Petrarca na Itália.





                          CARACTERíSTICAS DO CLASSICISMO
                                  
1. Imitação dos autores clássicos gregos e romanos da antigüidade, como Homero, Virgílio, Ovídio, etc., valorizando, além do soneto, as epopéias.
Observe a semelhança entre os primeiros versos de Os Lusíadas (Camões, século XVI) Eneida (Virgílio, antigüidade Clássica).
Os Lusíadas
As armas e os barões assinalados, Que da ocidental praia lusitana, Cantando espalharei por toda parte.
ENEIDA
Canto as armas e o varão Que foi o primeiro a vir Das praias de Tróia.
2. Uso da mitologia
Os deuses e as musas, inspiradores dos clássicos gregos e latinos, aparecem também nos clássicos renascentistas.
Por exemplo, em Os Lusíadas, Vênus (a deusa do amor) e Marte (o deus da guerra) protegem os portugueses nas suas conquistas marítimas, ao passo que Baco (o deus do vinho) tenta atrapalhá-Ias e destruí-Ias.
3. Predomínio da razão sobre os sentimentos
A linguagem clássica não é subjetiva nem impregnada de sentimentalismo e de figuras, porque procura filtrar, através da razão, todos os dados fornecidos pela natureza e, desta forma, expressar verdades universais.
4. Uso de uma linguagem sóbria, simples, sem excessos de figuras literárias.
5. Idealismo: busca da perfeição estética, da pureza das formas e dos ideais de beleza.
Os clássicos abordam como tema o homem ideal, liberto de suas necessidades diárias, comuns. Os personagens centrais das epopéias são apresentados como seres superiores verdadeiros semideuses, sem defeitos.
Por exemplo, Vasco da Gama, em Os Lusíadas, é um ser dotado de virtudes extraordinárias, incapaz de cometer qualquer erro, admirado pelos próprios deuses.
6. Amor platônico
Os poetas clássicos revivem a idéia de PIa tão de que o amor deve ser sublime, elevado, espiritual, puro, não-físico.
Amor é brando, é doce, é piedoso; Quem o contrário diz não seja crido.
Camões
7. Busca da universalidade e impessoalidade
A obra clássica torna-se a expressão de verdades universais, eternas, e despreza o particular, o individual, aquilo que é relativo.
Epopéias são poemas longos sobre feitos grandiosos e heróicos, como foram as grandes descobertas marítimas dos portugueses. São epopéias famosas da antigüidade clássica:
Ilíada e Odisséia, de Homero; Eneida, de Virgílio; e na Idade Moderna temos Os Lusíadas, de Camões.
PRINCIPAIS AUTORES DO PERíODO CLÁSSICO
Os principais autores desse período, em Portugal, são: Sá de Miranda, Luís Vaz de Camões, João de Barros, Bernardim Ribeiro, Antônio Ferreira, Diogo Bernardes, Damião de Góis, Fernão Mendes Pinto, Fernão Cardim.
João de Barros destacou-se na historiografia, com a obra Décadas, em que narra a história das conquistas, navegações e comércio dos portugueses. Fernão Mendes Pinto se sobressai na literatura de viagem, com Peregrinação e Bernardim Ribeiro com a novela Menina e Moça.
De Antônio Ferreira, temos a peça Tragédia de Dona Inês de Castro, que apresenta como personagens principais:
D. Pedro (príncipe), filho de D. Afonso IV (rei de Portugal); Dona Inês de Castro, amante de D. Pedra;
D. Afonso IV, que, na ausência do filho, manda executar Dona Inês, por ser amante do filho e por motivos políticos.
A tragédia culmina com a morte de Inês e com os atos de loucura de D.
Pedra.
Luís Vaz de Camões








a) Luís Vaz de Camões(1524 ? - 1580) é, sem dúvida, a maior figura do período clássico.
Camões teve uma vida bastante conturbada. Combateu como soldado na África, onde perdeu o olho direito. Retornou então a Portugal e, após envolver-se numa disputa, foi preso, só conseguindo perdão ao concordar em ir para a Índia, novamente como soldado. Esteve em Goa, seguindo depois para Macau - aí exercendo a função de provedor dos defuntos e ausentes. Voltando a Goa, seu navio naufraga, mas ele consegue salvar-se. Ao finalmente regressar a Portugal, publica, em 1572 Os Lusíadas. Alguns anos depois, morreu na miséria.

PRODUÇÃO LITERÁRIA
Camões foi poeta lírico, dramático e épico.
Como poeta lírico, escreveu cerca de 300 sonetos de notável valor artístico - todos humanos, profundos, elegantes.
Como dramático, produziu três autos: Anfitriões, Seleuco, Filodemo.
Como épico, Camões escreveu a obra-prima da língua portuguesa: Os Lusíadas.  
        
 A epopéia Os Lusíadas é composta de 10 cantos, 1.102                                  
estrofes, num total de 8.816 versos. As estrofes de 8 versos                                     
decassílabos obedecem à rima do esquema ao lado.                                                 
O poema Os Lusíadas segue os padrões clássicos da antigüidade e apresenta as seguintes partes:
1. Proposição ou introdução: o poeta apresenta, em rápidas pinceladas, o assunto do poema: propõe-se a cantar os feitos de ilustres portugueses.
2. Invocação: à maneira dos antigos clássicos, que pediam auxílio aos deuses, Camões invoca as Tágides, musas que habitavam o Tejo, para que o auxiliem a cantar condignamente os feitos lusos.
3. Dedicação ou oferecimento: o poeta oferece seu poema ao rei de Portugal, Dom Sebastião.
4. Narração: relata a viagem de Vasco da Gama às Índias, em meio a peripécias de todo o tipo. No transcorrer desse relato, Camões introduz episódios importantes da História de Portugal.
5. Epílogo: Camões apresenta nesta parte um quadro negativo, ou seja, a pátria em ruínas e a miséria do povo
Em Arte, o Classicismo refere-se, geralmente à valorização da Antiguidade Clássica como padrão por excelência do sentido estético, que os classicistas pretendem imitar. Ao classicismo opõe-se o Romantismo. A arte classicista procura a pureza formal, o equilíbrio, o rigor - ou, segundo a nomenclatura proposta por Friedrich Nietzsche: pretende ser mais apolínea que dionisíaca.
Alguns historiadores de arte alegam que na História da arte concorrem duas grandes forças, constantes e antagônicas: uma delas é o espírito clássico, a outra, o romântico.
As duas grandes manifestações classicistas da Idade Moderna européia são o Renascimento e o Neoclassicismo.
Serve também o termo clássico para designar uma obra ou um autor depositários dos elementos fundadores de determinada corrente artística.

Na música

Ver artigo principal: Era Clássica.

Na literatura

Ver artigo principal: Literatura classicista.
É um período de enorme progresso literário com o inicio da Historiografia e da primeiras formas de teatro com presença de "scripts" por Gil Vicente. Camões foi o mais importante poeta do classicismo português, sendo sua maior obra, Os Lusíadas, a maior epopéia já escrita em português.

Ver também

 O Classicismo teve inicio na Itália no século XIV e apogeu no final do século XVI.

Índice


Contexto histórico


No Mundo

  • Antropocentrismo
  • Plano Econômico
  • Plano Social => Criação da Imprensa
  • Plano Industrial
  • Se espalhou rapidamente pela Europa, com a criação da imprensa as informações eram divulgadas com maior rapidez.

Marco Inicial


Características Gerais

  • Imitação dos autores clássicos gregos e romanos da antiguidade
  • Uso da mitologia dos deuses e o uso musas como inspiração
  • Racionalismo: Predomínio da razão sobre os sentimentos
  • Uso de linguagem sóbria, simples, sem excesso de figuras de linguagem
  • Universalismo
  • Nacionalismo
  • Neoplatonismo amoroso
  • Busca do equilíbrio formal

Autores


Portugal


Ver também

Outros Autores


Francisco de Sá de Miranda (1481-1558). Escreveu poemas na medida nova e na medida velha. Escreveu, ainda, a tragédia Cleópatra, as comédias Os Estrangeiros e Vilhalpandos.
Antônio Ferreira (1528-1569). Discípulo de Sá de Miranda, escreveu Poemas Lusitanos, Castro, Bristo e Cioso.João de Barros (1496?-1570), autor de As décadas da Ásia.

Bibliografia


http://www.mundovestibular.com.br/categories/Português/
http://www.micropic.com.br/noronha/liter2.htm
http://www.tiosam.com/?q=Literatura_classicista



Rosangela de Oliveira Firmino 153851 
Maria Perpétua C. Costa 151430

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Modernismo




O início do seculo XX caracterizou-se pelos diversos "-ismos" intitulados em seu conjunto como Vanguardas europeias. Essas correntes estéticas foram reflexos de um mundo marcado pela I Guerra e suas consequências. E como não poderia deixar de ser, Portugal (como toda a Europa) passou por dificuldades nos anos de guerra.

O Modernismo português coincidiu com as mudanças no plano econômico e social do país.

No final do século XIX, organizaram-se em Portugal os partidos Republicano e Socialista, os quais fizeram uma forte oposição ao regime monárquico português. Associado a esse clima antimonárquico, em 1890, a Inglaterra enviou um ultimato a Portugal, exigindo que o país retirasse suas tropas dos territórios situados entre Angola e Moçambique (tal procedimento atendia ao desejo expansionista inglês, que pretendia dominar completamente o território africano). O governo português, embora tentasse na época ampliar seu domínio na África, abandonou os territórios atendendo à solicitação da Inglaterra. Tal procedimento do governo gerou um grande desconforto da população portuguesa, fazendo crescer um forte desejo inflamado pela proclamação da República. 

Em 1908, o rei D. Carlos e seu filho, o príncipe D. Luís Filipe, foram assassinados por um homem do povo. O trono foi assumido pelo jovem de 18 anos, D.Manuel II. Em 1910, instalou-se a República em Portugal em meio a revoltas populares, incentivadas pela desestruturação monárquica.Teófilo Braga assumiu provisoriamente o governo. A República gerou duas correntes : os saudosistas - favoráveis ao governo e adeptos do retorno ao passado glorioso de Portugal; e os integralistas - grupo de oposição ao governo e adeptos do nazismo e do fascismo emergentes respectivamente na Alemanha e na Itália.

" Nada contra a Nação, tudo pela Nação "
                                               
                                               (Lema do Estado Novo)

Em 1926, uma revolta levou ao poder um governo de direita. Em 1932, assumiu oficialmente o governo Antônio de Oliveira Salazar, estabelecendo diretrizes do Estado Novo. Era a vitória do integralismo. A ditadura de Salazar durou ate 1974, caindo somente com a Revolução dos Cravos.

Embora tenha vencido politicamente o integralismo, o que caracterizou a literatura no período compreendido entre as duas guerras foi a tendência saudosista.

Fases e características do Modernismo português

Em 1910, surgiu a revista cultural A Águia, a qual propunha o saudosismo (retomada das tradições lusitanas) como renovação artística. Entretanto, o Modernismo português teve como marco inicial a publição da revista Orpheu, cujo primeiro numero saiu em 1915.

Os "orfistas" eram, entre outros, Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Almada Negreiros e Ronald de Carvalho, este último brasileiro. Influenciados pelo Futurismo de Marinetti, esses escritores tinham como objetivo escandalizar a sociedade da época, e conseguiram !

A revista Orpheu não chegou ao terceiro número, uma vez que Mário de Sá-Carneiro suicidou-se em 1916, mas sua importância foi grande para a literatura portuguesa, influenciando publicações posteriores como as revistas Exílio (1916), Ícaro(1916) e  Portugal Futurista (1917).

Gerações do Modernismo português

Podemos situar o Modernismo português no período entre-guerras : 1915, publicação da revista Presença; e o período que se estende de 1940 até nossos dias.

O Modernismo português é representado por três gerações :


1ª geração - o Orfismo (1915-1917)



A 1ª geração foi marcada pela influência dos manifestos de vanguardas europeias e pela publicação da revista Orpheu. Embora os autores dessa geração tenham escandalizado a sociedade portuguesa, a grande ênfase que se dá atualmente e à obra de Fernando Pessoa e seus heterônimos.

Autores : Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Almada Negreiros, Luiz de Montalvor, Florbela Espanca e outros.


2ª geração - o Presencismo (1927-1940)


Divulgou suas propostas por meio da revista Presenca. Os artistas dessa geração defenderam uma arte desvinculada da limitação tempo-espaco (a "arte-viva") e deram continuidade as ideias do orfismo. Caracterizou essa geração a introspecção e a análise interior.

Autores : José Régio, José Rodrigues Miguéis, Branquinho da Fonseca, Miguel Torga e outros.


3ª geração - o Neo-Realismo (1940)


A 3ª geração valorizou o romance social, abandonado a anaáise psicológica. Os autores passaram a utilizar a literatura omo veículo propagador de suas ideias. O Neo-Realismo é identificado com o regionalismo brasileiro de 30.

O romance que inaugurou essa tendência foi Gaibéus, de Alves Redol.

Autores: Alves Redol, Vergílio Ferreira, Ferreira Castro e outros.


Tendências contemporâneas


No final da década de 1940, surgiu o Grupo Surrealista, o qual organizou no ano de 1949, em Lisboa, uma exposição influenciada pelo movimento surrealista francês (Andre Breton). 

Após 1960, surgiu a poesia experimental e a poesia social. A prosa caracterizou-se pelo Neo-Realismo, marcado por personagens coletivos e por um intimismo intenso, sobretudo nas obras da poetisa Augustina Bessa-Luis.

A obra de Fernando Pessoa serve como referência para os autores portugueses até a atualidade.

Fernando Pessoa

                    "O ponto central da minha personalidade como artista é que sou um poeta dramático; tenho continuamente, em tudo quanto escrevo, a exaltação íntima do poeta e a despersonalização do dramaturgo. Vôo outro - eis tudo. "

(Frase de Fernando Pessoa, citada na obra Fernando Pessoa - poesia de todos os tempos, seleção e organização de Cleonice Berardinelli.
Editora Nova Fronteira, 10ª edição, p.10, Rio de Janeiro, 1985)

Fernando Antônio Nogueira Pessoa nasceu em Lisboa, a 13 de junho de 1888. Aos cinco anos, ficou órfão de pai. Dois anos depois, sua mãe casou-se novamente, desta vez com um militar que, nomeado cônsul da África, viajou para lá com toda a família. Os estudos iniciais de Fernando Pessoa foram realizados na África do Sul, respeitando-se as tradições britânicas. Em 1905, retornou a Lisboa matriculando-se no Curso Superior de Letras, o qual abandonou em seguida. Posteriormente, trabalhou como correspondente estrangeiro no jornal Comércio.

Colaborou na revista Águia na década de 1910 e tomou contato com os movimentos de vanguarda europeus. Fundou, em 1915, a revista Orpheu e intensificou sua produção literária. Suas ideias e as dos demais integrantes da revista não foram muito bem aceitas pela comunidade acadêmica na época. É tambem desse período a criação de seus heterônimos.

Devido às consequências do alcoolismo, morreu a 30 de novembro de 1935, vítima de cirrose hepática.


 Os heterônimos

              "Sou a cena viva onde passam vários atores representando várias peças."
                                                                                                                   (Fernando Pessoa)


Fernando Pessoa é o principal escritor do Modernismo português. O poeta era tão denso e profundo que nao se limitou a escrever somente segundo suas próprias experiências (o que já se constituiria num excepcional material), escreveu também a partir da experiência de outros. Heterônimo é a criação de um nome fictício a que o escritor atribui suas obras. Não se trata simplesmente de um  pseudônimo, mas sim da criação de um outro poeta com estilo próprio e o que é mais surpreendente, de uma personalidade particular e uma biografia específica (profissão, intelectual, amores, etc).Assim, Fernando Pessoa criou vários heterônimos, entre os quais citaremos os principais : Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. 

Pseudônimo : nome falso adotado por alguém a fim de ocultar-se por qualquer motivo.

Heterônimo : outro nome, imaginário, que um  homem empresta a certas obras suas atribuindo a esse autor por ele criado qualidades e tendências literárias próprias, individuais e diferentes das do criador.
(Novo dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, Editora Nova Fronteira, 1986)


Fernando Pessoa - Ortônimo 
("ele mesmo")

A poesia de Fernando Pessoa ("ele mesmo") expressa saudosismo por meio da obra Mensagem (única publicada em vida), que evoca o sentimento nacionalista de um país que sonha com o grande império que um dia foi quando da época das Grandes Navegações e de Camões. É a exaltação da tradição lusitana, como se pode notar no poema a seguir :

Chuva oblíqua

Atravessa esta paisagem o meu sonho dum porto infinito
E a cor das flores é transparente de as velas de grandes navios
Que largam do cais arrastando nas águas por sombra
Os vultos ao sol daquelas árvores antigas...
O porto que sonho é sombrio e pálido
E esta paisagem é cheia de sol deste lado...
Mas no meu espírito o sol deste dia é porto sombrio
E os navios que saem do porto são estas árvores ao sol...
Liberto em duplo, abandonei-me da paisagem abaixo...
O vulto do cais é a estrada nítida e calma
Que se levanta e se ergue como um muro,
E os navios passam por dentro dos troncos das árvores
Com uma horizontalidade vertical,
E deixam cair amarras na água pelas folhas uma a uma dentro...
Não sei quem me sonho...
Súbito toda a água do mar do porto é transparente
e vejo no fundo, como uma estampa enorme que lá estivesse desdobrada,
Esta paisagem toda, renque de árvore, estrada a arder em aquele porto,
E a sombra duma nau mais antiga que o porto que passa
Entre o meu sonho do porto e o meu ver esta paisagem
E chega ao pé de mim, e entra por mim dentro,
E passa para o outro lado da minha alma...


 Assista também à declamação do poema Aniversário de Fernando Pessoa por Jô Soares:
 http://www.youtube.com/watch?v=OnOFveF1Eb8&feature=related


Nos livros Quadras ao gosto popular e Cancioneiro, encontramos um Fernando Pessoa lírico sem perder de vista a tradiçãa lusitana. O próprio título já resgata o passado português : cancioneiro, coletâneas das cantigas trovadorescas medievais, gênero muito cultivado por Portugal nos séculos XII, XIII e XIV.


Alberto Caeiro


Alberto Caeiro da Silva nasceu a 16 de abril de 1889, em Lisboa. Órfão de pai e mãe, viveu com uma tia no campo. Morreu em 1915, vítima da tuberculose.

Caeiro é um ponto bucólico que valoriza o campo e prega a simplicidade como princípio da vida. O mundo para Caeiro era o que ele sentia e o que via, portanto vinculado aos sentidos. O poeta não enxergou o mundo num sentido metafísico, daí sua identificação com o paganismo. Leia o poema XXIV de "O guardador de rebanhos" :

XXIV

     O que nós vemos das cousas são as cousas.
     Por que veríamos nós uma cousa se houvesse outra?
     Por que é que ver e ouvir seria iludirmo-nos
     Se ver e ouvir são ver e ouvir?
     O essencial é saber ver,
     Saber ver sem estar a pensar,
     Saber ver quando se vê,
     E nem pensar quando se vê
     Nem ver quando se pensa.
     Mas isso (tristes de nós que trazemos a alma vestida!), 
     Isso exige um estudo profundo,
     Uma aprendizagem de desaprender
     E uma seqüestração na liberdade daquele convento
     De que os poetas dizem que as estrelas são as freiras eternas
     E as flores as penitentes convictas de um só dia,
     Mas onde afinal as estrelas não são senão estrelas
     Nem as flores senão flores.
     Sendo por isso que lhes chamamos estrelas e flores.


Ricardo Reis


Ricardo Reis nasceu no Porto, a 19 de setembro de 1887. Formou-se em Medicina, depois de ter estudado em colégio de jesuítas. Após a proclamação da República, em Portugal, buscou exiíio no Brasil, uma vez que era monarquista.
Ricardo Reis era um estudioso da cultura clássica, daí a valorização do paganismo e a presença, em seus poemas, da mitologia clássica. Como Alberto Caeiro, Ricardo Reis valorizou a vida no campo, no entanto Reis questionou e refletiu sobre o mundo moderno e sua desintegração e ainda valorizou o carpe diem. Leia um poema de Ricardo Reis:


 
Bocas Roxas
 
Bocas roxas de vinho,  
Testas brancas sob rosas,  
Nus, brancos antebraços  
Deixados sobre a mesa;

Tal seja, Lídia, o quadro  

Em que fiquemos, mudos,  
Eternamente inscritos 
Na consciência dos deuses.

Antes isto que a vida 

Como os homens a vivem 
Cheia da negra poeira 
Que erguem das estradas.

Só os deuses socorrem 

Com seu exemplo aqueles 
Que nada mais pretendem 
Que ir no rio das coisas.

Álvaro de Campos

Álvaro de Campos nasceu em Tavira, extremo sul de Portugal, em 15 de outubro de 1890. Formou-se engenheiro na Escócia, entretanto não exerceu a profissão.

Campos é um poeta futurista e moderno, dessa forma valoriza a tecnologia e a velocidade. Outro traço característico de sua personalidade é o pessimismo.

Os poemas de Campos são escritos em versos livres e brancos e guardam uma constante agressividade, como  se pode notar no trecho a seguir :

Ah, Onde Estou


 
  Ah, onde estou onde passo, ou onde não estou nem passo, 
  A banalidade devorante das caras de toda a gente! 
  Ah, a angústia insuportável de gente! 
  O cansaço inconvertível de ver e ouvir! 

  (Murmúrio outrora de regatos próprios, de arvoredo meu.) 
  Queria vomitar o que vi, só da náusea de o ter visto, 
  Estômago da alma alvorotado de eu ser...



Bibliografia:

http://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=137
http://www.revista.agulha.nom.br/fp229.html
http://www.revista.agulha.nom.br/facam82.html
Novo dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, Editora Nova Fronteira, 1985

Edeli Barbosa              118885
Larissa M.Martins       110277
Sarah Pinheiro             111034