sábado, 10 de dezembro de 2011

Encontro Literário Musical com Wagner Ortiz e Quadrisax Quarteto

Wagner Ortiz é compositor, arranjador, flautista e poeta se apresenta na próxima sexta às 21:00, 16/12, no Space Family Buffet, com o Grupo Quadrisax e com os convidados Edson Masson, Elias e agora Lucio Costa. Prometendo uma noite de pura música brasileira e literatura, Wagner e o quarteto saxes formado pelos músicos Roberto Dessordi (sax soprano), Rolf Ochsenhofer (sax alto), Edu Moreno (sax tenor) e Thiago Battistin (sax barítono) desenvolvem o trabalho misturando a linguagem erudita à popular, assim explora a bela sonoridade resultante dessa formação instrumental. Além da leitura de poesias do autor no repertório há clássicos do choro e arranjos inéditos da MPB.


O Space Family Buffet fica na rua
Igino Scarpelli, n.05, Pq. Marajoara II - Santo André.
(no sentido Mauá, passando o Ragazzo segunda a direita )

Ingressos R$ 10,00

Informações: 2896-2659/7840-1415

Aberto a crianças a partir de 10, até 12 não paga! (claro, acompanhadas por um responsável, rsrsrs)

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Palestras sobre Dicionário do Crentês

Todos os direitos reservados aos autores.
Wagner Ortiz, Reg>BN 178-2/299-3

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Endorréia na língua





Os vícios de linguagem chegam, entram e se instalam como uma praga, eles se apossam da língua coloquial, onde ganham força, e depois estrangulam a língua culta travando uma verdadeira guerra entre língua e linguarudos que, muitas vezes, se esforçam em vencer essa guerra, pois, parafraseando e filosofando sobre os versos do poeta Olavo Bilac, assim como ouviram pela primeira vez as palavras “meu filho” e internalizaram o idioma tataraneto do latim, flor do Lácio, da mesma forma internalizam as pragas.



Dentre os vícios medonhos que ainda permanecem, já que os mesmos são esquecidos por serem meros modismos passageiros, se discute polemicamente o pedante gerundismo, que se tornou uma praga na língua portuguesa do Brasil no final século XX.



Existe o legítimo caso na língua, que ocorre com o uso do gerúndio para comunicar ações simultâneas, por exemplo, “vou estar dormindo na hora do show”, diferente desse gerúndio vicioso que também segue regra própria, ou seja, usa locuções como, por exemplo, “vou + estar + verbo no gerúndio” e também observa-se, “ verbo auxiliar + verbo infinitivo + estar + verbo no gerúndio”. Com estas formulas se constroem as presunçosas frases “ vou estar falando”, e presunçosas e pegajosas como esta dita pelo famoso pastor Silas Malafaia Jr., “ você vai poder estar ligando”.



Todo esse trabalho e pedantismo tem o objetivo de indicar uma falsa ação futura com precisão. E, além disso, acompanha essa idéia um pensamento piegas, ou melhor, a ilusão de que se fala sofisticadamente, daí o uso do gerundismo por pessoas das áreas comercial, marketing, da classe média alta e dos exibidos que as acompanham.



Depois de tantos debates sobre o assunto e a mídia “fuzilar” o gerundismo, as pessoas tentam a autocorreção, o que se torna difícil quando o uso é constante, repetitivo e maçante. Entretanto, há outras dificuldades nessa língua tão clássica e cheia de flexões herdadas do latim.



Igualmente, línguas preguiçosas preferem os modismos e ainda evitam o uso do futuro do presente, especialmente de alguns verbos como, por exemplo, “ querer, poder, fazer, dizer,” que geram “quererei, poderei, farei, direi”, este tempo geralmente é trocado por, “vou querer, vou poder...” sem problemas. Contudo, temos que tomar cuidado, como é o caso do ministro de minas e energia, Nelson José Hubner Moreira, durante uma coletiva: “a União nunca se desfazerá dessa instituição que gera bilhões”.



Portanto, a língua portuguesa deve ser tratada com seriedade pelo falante, e, não há necessidade de tais modismos importados que soam falsamente como sofisticados e que aleijam a língua comodista dos “falantes linguarudos” sendo que , essa língua é suficiente bela e sofisticada.



Wagner Ortiz




Todos os direitos reservados.
BN 178-2/299-3

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Clube de Choro de São Bernardo do Campo


O amigo Marcos Murilo de Almeida Passos, que foi um dos meus professores e quem me apresentou ao choro e MPB, sabiamente com a parceria da ONG Coração Brasileiro (Brazilian Heart) montou um projeto que pode mudar os rumos de como preservar e promover a música brasileira de qualidade. O Clube de Choro em São Bernardo do Campo, que documenta em vídeo toda a atividade musical de grupos instrumentais da região do ABC e São Paulo e desse maneira contribui para manter viva a história da música brasileira tão desprezada pela mídia capitalista que promove o lixo cultural. Não depois de outras tentativas como A Escola de Choro de SBC, que se estabeleceu por 2 anos, mas infelizmente não angariou verbas para sua continuidade e foi interrompida em 2005. Assim, o Clube do Choro de São Bernardo Campo é um projeto ousado que de certa forma dá continuidade ao trabalho com a música instrumental e troca de conhecimento, pois além registrar a atividade dos grupos em vídeos, o projeto incluí um Ponto de Cultura, onde acontece semanalmente (5as) as chamadas Rodas de Choro (escola da experiência), Saraus, etc. Além disso a ONG Coração Brasileiro (Brazilian Heart) que é dirigida por Mercedes Danielius, mantem o grupo ” Confraria do Choro ”, o único grupo fixo do Clube do Choro.

Instituído no ano de 2006 pela ONG Brazilian Heart por iniciativa dos alunos e professores que integravam a Escola de Choro Garoto (Aníbal Augusto Sardinha), O Clube do Choro de SBC, contou em sua inauguração com a presença dos músicos Canhotinho (Demônios da Garoa), Miguel (Três do Rio), Geraldo (Titulares do Ritmo), Marcos Murillo (Confraria do Choro), John Harbone, Rose Calixto, Evandro Benedito, Wagner Ortiz, Renan Bragatto, Lígia Passos, Denis Rosa, Eduardo Gebara , e também, dos representantes da Secretaria do Estado da Cultura de SP, Departamento de Ações Culturais de São Bernardo do Campo e contou também com a presença da Rede TV Mulher com a reportagem especial sobre as “mulheres no choro” , homenageando a grande compositora Chiquinha Gonzaga.


Site do Clube de Choro de SBC: 

Ponto de Cultura: Roda de Choro:
Todas as 5as a partir das 19:00

Local:

A
São Bernardo do Campo - São Paulo, 09732-450




segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Quinteto Forma Brasileira opus 114b

Apresento essa obra que retrata o Bumba Meu Boi do Maranhão escrita para flauta e quarteto de cordas. As partituras podem ser baixadas na área de downloads deste blog.


I present this work show the Bumba Meu Boi from Maranhão-Brazil, was written for flute and string quartet. The scorescan be downloaded in the download area this blog.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Entrevista com compositor Ubiratan Sousa à OSRádio (Alemanha)

Ubiratan Sousa na TV Rural
Ubiratan Sousa é compositor. Cantor. Multi-instrumentista (toca violão, cavaquinho, baixo, guitarra, banjo, bandolim, flauta doce, viola de 10, acordeom, teclado e percussão). Arranjador. Produtor musical. Pesquisador de folclore. Professor de música, violão, cavaquinho, baixo, guitarra, banjo, bandolim, flauta doce e viola de 10. Instrumentista autodidata, estudou harmonia com Ian Guest. Tem mais de 600 composições, entre músicas gravadas e inéditas, de diferentes estilos (clássico e popular). Em 1962, começou a atuar no cenário artístico de sua cidade natal, ainda como músico amador. E defensor da cultura do Estado do Maranhão e um dos maiores conhecedores da cultura popular do Nordeste, além de especialista nos ritmos do Maranhão como Boi-Bumba, Crioula, Divino, etc.


Seus últimos trabalhos:


2002) Bruxaria • Independente • CD

(2000) Boi Pirilampo • Independente • CD

(1999) Eliéser Selton • Robi Discos • CD

(1996) A alegria do boi Bunininho • Independente • CD

(1994) Capital do boi • Independente • CD

(1994) Festival Canta Nordeste • Som Livre • CD

(1993) Festival Canta Nordeste • Som Livre • CD

(1992) Tempo certo • Independente • CD

(1990) Choro de pássaros • Independente • LP

1987) Rosa amor • Independente • LP

(1984) Tempo certo • Independente • LP

(1972) Pedra de Cantaria • Independente • LP

(1971) I Festival de Música Popular no Maranhão • Independente • LP


CANAL DO YOUTUBE:
http://www.youtube.com/results?search_type=&search_query=Ubiratan+Sousa&aq=f



A entrevista foi realizada por Tânia G. Polmann pela OSRádio http://www.osradio.de/musik/

           



domingo, 2 de outubro de 2011

Ser político



Velhos Políticos Brasileiros


MIM
ME PENSAR ME

PENSO EM MIM MESMO
PENSO EM ME PENSAR
PENSO E REPENSO EM ME PENSAR
PENSO EM RECOMPENSAR-ME
PEÇO PARA MIM
TEÇO PARA MIM
APETEÇO ISSO A MIM
RECOMPENSO A MIM
REPENSO EM ME PENSAR
RECOMEÇO A ME PENSAR
PENSO E REPENSO EM ME PENSAR
PENSO EM RECOMEÇAR A PENSAR

PENSAR EM MIM
ME PENSAR ME
MIM

(Wagner Ortiz)

Esse é um dos exemplos que serve de complemento aos dois posts anteriores sobre o "SER E TER", será queserá que os políticos do Brasil pensam no "SER", ou  "TER"? As leis e projetos visam o "SER" ou "TER"? Ser político devia ser uma ação nobre, pois se entregar para ajudar a governar uma cidade, país, estado, etc. é ter responsabilidades e compromisso como o povo, ser complacente com os mais necessitados, justo e  altruísta. "Político" devia ser um título para logo se associar a algo bom, de respeito, que promove a justiça e a ética. Porém se perguntarmos para as pessoas qual é a associação a maioria vai responder CORRUPÇÃO, ROUBO, DESTRUIÇÃO, FALCATRUA, TRAIÇÃO, DESOLAÇÃO, DESCASO, DESRESPEITO, etc. Por isso Reguffe fez o Brasil lembrar o significado de político, esperamos que continue com atos nobre como que notifico abaixo.


Vejam, enquanto a maioria dos safados lá em Brasília só criam leis e projetos para visando interesses e seus benefícios o deputado federal José Antonio Reguffe (PDT-DF), que foi proporcionalmente o mais bem votado do país com 266.465 votos, com 18,95% dos votos válidos do DF, estreou na Câmara dos Deputados fazendo barulho. 

O homem teve a garra de quebrar os protocolos, "tiracolos", "deixacolos", e deixar muita gente estapafurdiamente de queixo caído. Segundo informações ele abriu mão dos salários extras que os parlamentares recebem (14° e 15° salários), reduziu sua verba de gabinete e o número de assessores a que teria direito, de 25 para apenas 9. E tudo em caráter irrevogável, nem se ele quiser poderá voltar atrás. Além disso, reduziu em mais de 80% a cota interna do gabinete, o chamado “cotão”. 

Além disso, dos R$ 23.030 a que teria direito por mês, reduziu para R$ 4.600. Segundo os ofícios, abriu mão também de toda verba indenizatória, de toda cota de passagens aéreas e do auxílio-moradia, tudo também em caráter irrevogável. Sozinho, vai economizar aos cofres públicos mais de R$ 2,3 milhões (isso mesmo R$ 2.300.000,000) nos quatro anos de mandato. Se os outros 512 deputados seguissem o seu exemplo, a economia aos cofres públicos seria superior a R$ 1,2 BIlhão. 

“A tese que defendo e que pratico é a de que um mandato parlamentar pode ser de qualidade custando bem menos para o contribuinte do que custa hoje. Esses gastos excessivos são um desrespeito ao contribuinte. Estou fazendo a minha parte e honrando o compromisso que assumi com meus eleitores”, afirmou Reguffe em discurso no plenário.

Porque os outros não fazem o mesmo?


sábado, 1 de outubro de 2011

Ser ou Ter, eis a questão 2! por Wagner Ortiz



Salvador Dali

Amigo Bira, parabéns pelo ótimo texto e sensibilidade. Essa que nos leva a meditar e perceber que temos de pensar em "ser", mesmo que essa ideia seja rejeitada pela atual sociedade que cultua o capitalismo globalizado. Nessa nova sociedade, dos homo capitalis, as pessoas são levadas por poucas detentoras de capital a acreditarem nas ilusões e fantasias em detrimento dos valores e da verdade, assim surgem os interesses de massa e a arte que é baseada na sensibilidade de "ser" se transforma na arte do "ter", muito inferior a arte de verdade. Como a função da arte é complexa e muito importante na história da humanidade, fazer dela instrumento do "ter" causa um desacordo muito grande com as Leis Superiores, consequentemente estaremos num mundo mais pobre, cheio de ilusões, com menos consciência, com culto ao "ter", um mundo voltado para fora, a tal ponto que as pessoas idolatrem seus próprios corpos, como é o caso da busca pela beleza física exagerada de hoje. As pessoas se esforçam em academias para ter um corpo "sarado", mas têm um espírito doente, pobre, e desse modo o número de casos de suicídio e depressão vão às alturas.


Meu querido, o "ter" arruína a formação das crianças, pois essa dominação pelo "ter" as deixa a cada dia mais iludidas, mais centradas para essas conquistas fúteis, então as novas gerações ficam distanciadas da verdade de "ser", consequentemente o caminho ao "ser" mais difícil, elas menos sensíveis, ou seja, um bola de neve. Essa ideia podemos apreciar no belo filme SER E TER, de Nicolas Phillibert.

Essa onda do "ter" é tão persuasiva que até quem deveria ter a direção oposta começa a aderir a ideologia, assim as criticadíssimas igrejas, sobretudo as evangélicas, que deveriam pregar o "ser" e levar as pessoas a refletirem voltando-se para os seus interiores, cultuam a "Mamom", à prosperidade, ou então a busca exacerbada pelo sobrenatural, o milacuroso, assim o "ter" é o tema principal, portanto a prática de pensar no outro, do amor, refletir, volta-se para o "ser" e é cada vez mais substituída pela mentira.

Ainda nesse caminho, essa conversa me fez lembrar duas coisas legais para complementar o assunto, primeiro que o primeiro filósofo a colocar explicitamente o conceito de ser foi Parmênides de Eleia (500 AC). Que já tratava do tema como um paradoxo da existência onde "É e não é possível que não seja - não é e é necessário que não seja". 

A outra é a relação do verbo SER com DEUS. O nome apresentado de Deus a Moíses foi Yahweh (Jeová) vem do verbo hebraico hayah, que significa “ser, estar, existir, tornar-se” e “acontecer”.

Cruzando as informações vemos a importância do conceito de “ser”. Para pensar melhor sobre essa relação, peço ajuda ao mestre judeu TZVI FREEMAN que passará explicar no artigo abaixo sobre a “fixação-nas-coisas” para entender o que é DEUS, ou seja, o que é “ser de verdade”. Acredito que quando entendermos de fato quem somos, iremos de encontro ao grande Ser que é Deus. Para quem acredita que aprender a SER é a lição mais importante vale a pena ler.

Teoria da “fixação-na-coisa”: Por Tzvi Freeman

Este é provavelmente, o principal desastre da sua infância – não ser desmamado, não ter deixado para trás as fraldas, não ter se sentado numa carteira na primeira série – mas quando você aprendeu sobre as coisas.

Não quero dizer “você aprendeu sobre as coisas do mundo.” Quero dizer, quando você aprendeu a ideia das coisas. Você aprendeu que o mundo é feito de coisas, objetos, itens materiais que simplesmente estão “ali”. Mais tarde na vida, você começou a correr atrás dessas coisas, acumulando-as, juntando mais e mais coisas para encher sua casa, seu quintal e sua garagem. Mas agora, o mundo inteiro foi reduzido em sua mente a nada além de um montão de coisas. Portanto, até mesmo D'us é definido como uma coisa – e você está tentando encontrar o lugar onde Ele encaixa. Porque, afinal, todas as coisas se encaixam em lugares. 

Quando você acordou para a vida como uma criança pequena, não era assim. Não havia coisas. Havia apenas a experiência de ser. Ou de sentir, de viver, respirar e fazer. Gritar, mamar, arrotar. Essas eram todas coisas reais. Essas são vida. As coisas não são reais. Coisas são ficção. Elas não existem. Nós as inventamos.

O Nascimento das CoisasComo as coisas surgiram? 

Eis aqui minha ideia sobre isso.

No princípio, não havia coisas. Toda a humanidade conhecia a vida como o faz uma criança pequena, ate à medida que elas ficam mais velhas e mais sabidas. Mas então alguém entrou em sua cabeça e desenhou todas as coisas que ele tinha. Por fim, os desenhos se tornaram hieroglifos, um recurso esperto para a comunicação esotérica. Os amantes do hieroglifo – como os sacerdotes de culto do antigo Egito – criaram milhares de hieroglifos para representar todas as coisas que o faraó estava acumulando. Logo a ideia evoluiu para a linguagem falada, também: a ideia de uma “coisa” – um instantâneo estático de uma coisa qualquer num momento congelado no tempo. Nasceram as coisas. E o mundo nunca mais foi o mesmo.

Provas? Porque no antigo hebraico bíblico, não há palavras para coisas. Ou coisa. Ou objeto nem algo semelhante. No hebraico primitivo, puro, você não diz: “Ei, onde está aquela coisa que eu coloquei aqui?” Você diz: “Onde está o desejado (chefetz) que eu coloquei aqui?” Você não diz: “Onde está aquela coisa?” – você diz: “Onde está aquela palavra?” Isso é o mais próximo que você pode chegar da ideia de coisa: uma palavra.

Tudo da realidade é feito de palavras. Olhe na história da Criação: O total do céu e da terra não é nada além de palavras.

Na verdade, no antigo hebraico, também não existem substantivos. Em idiomas como o inglês, os substantivos são os amos e os verbos são seus escravos, com adjetivos e formas associadas dançando ao redor para servi-los. Em hebraico, os verbos dominam. Grande, pequeno, sábio, tolo, rei, sacerdote, olho, ouvido – todos esses soam como coisas, mas em hebraico são formas de verbos. De fato, segundo Rabino Yeshayahu Horowitz (1560?-1630), autor do clássico Shnei Luchot HaBrit, tudo em hebraico é realmente um verbo. Tudo é um evento, um acontecimento, um processo – fluindo, movendo-se, nunca estático. Exatamente como quando você era uma criança pequena.

Em hebraico, não existe sequer um tempo presente. Há particípios, mas a ideia de um tempo presente somente surgiu mais tarde. No hebraico real, nada jamais é – tudo é movimento.

Isso se encaixa, porque o hebraico não foi escrito em hieroglifos. O hebraico foi o primeiro idioma que sabemos ter sido escrito com símbolos que representam os sons, não as coisas. Com o alfabeto hebraico – a mãe de todos os alfabetos – você não vê as coisas, você vê os sons. Até o processo de ler é diferente: quando você lê os hieroglifos, a ordem não importa tanto. Você apenas olha e tudo está ali. Até os hieroglifos do chinês moderno podem ser escritos em qualquer direção. Com um alfabeto, a sequência é tudo. Nada tem significado por si só. Tudo está no fluxo.

Pegue o Fluxo

O fluxo é real. As coisas não são reais. Pergunte a um físico: quanto mais examinamos as coisas – aquilo que eles chamam de matéria – vemos que não está ali. Tudo que realmente está ali são os eventos: ondas, vibrações, campos de energia. A vida é um concerto, não um museu.

Pense sobre escrever música, em oposição a pintar um retrato. O artista que pinta dá um passo para trás e contempla sua arte, sua reprodução imóvel de um momento congelado – e ele vê tudo de uma vez. Então ele pede educadamente ao modelo que por favor, volte à pose que estava fazendo, que agora se torna a principal realidade, o retrato. Um retrato daquilo que é, mas nunca foi.

Um compositor de música não pode fazer isso. Você não pode congelar um instante de música – ela desaparece assim que você tenta fazer isso. Como as coisas fictícias que chamam de matéria: congeladas no zero absoluto, sem energia, sem movimento, não existe mais. Porque na verdade, tudo que existe é o fluxo de ser.

O Nome

O fluxo de ser: agora você encontrou D'us. De fato, em hebraico, este é o Seu Nome. O Nome de D'us é uma série de quatro letras que expressam todas as formas do verbo de todos os verbos, o verbo ser: é, foi, sendo, será, a ponto de ser, fazendo ser, deveria ser – todas essas estão naquelas quatro letras do Nome de D'us. Como D'us disse a Moshê quando ele perguntou Seu Nome: “Eu serei aquele que Eu serei.”

Em nossos modernos idiomas, aquilo não funciona. Escorregamos rapidamente para a armadilha das coisas novamente. Quem é D'us? Respondemos: “Ele é Um que foi, é e será.”

Aqui vamos nós com a “coisa que é” novamente. Não, D'us não é uma coisa que é, foi ou será. D'us é em si mesmo. Uau! A frustração da linguagem. Precisamos de novas palavras: Endo, Serzice. Coisice. Coisificador. Em hebraico você pode conjugar o verbo ser em todas essas maneiras e outras. Talvez um dia em português, você faça o mesmo. Até então, somos como artistas usando as cores para imitar Rembrandt: como músicos tentando tocar ritmos do oriente médio em Dó Maior temperado.

E a prova: fazemos perguntas que somente têm sentido em português, mas em hebraico são totalmente absurdas. Como: “D'us existe?” Em hebraico, isso é uma tautologia, de alguma forma o equivalente a “A existência existe?”

Não há necessidade de “acreditar” neste D'us se você sabe sobre o que estamos falando, você simplesmente sabe. Você saberá, também, que não há nada além desse D'us – o que há além do ser?

Quando à fé e crença, essas estão reservadas para coisas maiores. Como acreditar que essa grande Serzice que tudo faz sabe, tem compaixão, pode entender. Em outras palavras, dizendo que a realidade é uma experiência carinhosa. O que reduz a dizer que a compaixão é real, o propósito é real, a vida é real. Isso é algo que você tem de acreditar. Mas a existência de D'us – como a maioria das ideias sobre as quais os homens debatem – é apenas uma questão de semântica.

Pense simplesmente: Você acorda pela manhã e, antes mesmo do café, há. Realidade. Existência. Não “as coisas que existem”, mas a existência em si. O fluxo. O infinito fluxo de luz e energia. De ser, da existência. De é. Pense em todo aquele fluxo num único ponto, perfeito e simples. Entre nele, fale com ele, torne-se um com ele – isso é D'us. 
Fonte

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Ser ou Ter, eis a questão! por Ubiratan Sousa

Prezados amigos.

Ser ou Ter?

Essa questão é bem sutil e ao mesmo tempo importantíssima na definição de nossas vidas.

Se fossemos traçar 2 planos comparativos, diríamos que um deles se baseia numa ilusão e outro numa realidade;o ter, que corresponde a ilusão, geralmente é baseado em conquistas materiais, como dinheiro e fama, por exemplo, pertencem a este mundo e teremos que deixar neste mundo quando a foice da morte nos tocar, não é duradouro e pode ser conseguido sem nenhum mérito e até contrariando as leis, sejam materiais ou espirituais.Se aplica a diversos setores de nossas manifestações, profissões,etc...

Vamos puxar para a nossa profissão, a de músico.

Os mais lúcidos conseguem perceber que as nossas vidas são dirigidas por uma massa de sugestões, a todos os momentos e que pouquíssimas vezes agimos por nossa própria conta. Há casos em que essas sugestões são atendidas de pronto, como uma propaganda sobre comida ao passar na Tv nos faz ir abrir a geladeira. Há outras que não percebemos, mas dirigem as nossas ações e sabemos que a maioria de nós vive em função da aprovação dos outros...as fantasias em nossas vidas são inúmeras e chegamos a nos considerarmos importantes pelas conquistas das coisas deste Mundo, mesmo que não tenhamos a capacidade desenvolvida; podemos ser famosos, mas sermos incompetentes no assunto. Explico:um artista que faz um sucesso, como desses intérpretes principais dessas bandas de Pop/Rock pode se achar importante, e iludido, se achando o máximo, mas na verdade é limitado, pouco criativo, repetitivo, com pouca capacidade musical desenvolvida.Aos olhos do Mundo é uma sumidade, recebe aplausos, prêmios, mas se se voltar pra si mesmo, se fizer uma reflexão vai perceber que está iludido.Olha, em volta de si outros muito mais capazes e alguns até sentem vontade de ter a capacidade desses mais capazes, mas não tem.Vi uma demonstração dessa questão, do "outro", pelo Zezé de Camargo.

O que dá um certo alívio àquele que percebe o seu estado de fantasia é a grana, a fama, mas, mesmo assim, sabe que a morte o obrigará a deixar essas conquistas, isto quando não as perde em vida (o sucesso passageiro).

Do ponto de vista da evolução, essa linha que caminha numa direção crescente de aprimoramento, esses ganhos do ter , pouco representam, pois esses elementos não elevam a capacidade do detentor.Não levará quase nada pro outro plano, quando morrer.E pra quem acredita na reencarnação, voltará sem uma capacidade musical desenvolvida e terá que recomeçar tudo de novo, até se convencer de que o ser é mais importante do que o ter.
Muitos nem dividem com o próximo as suas conquistas e outros acumulam suas riquezas pra gastarem na velhice e pimba, vem a morte e não usufruem.

Aqueles desqualificados que estão atrás de quantidade de público estão totalmente desorientados, iludidos e topam qualquer parada pra conseguirem seus objetivos.Geralmente seu público é desqualificado ou imaturo e fica a pergunta: que valor, que satisfação alguém teria se percebesse que é um desqualificado e estimula a outros tantos a se estagnarem ouvindo seus trabalhos medíocres, sucessos conseguidos por meio de jabás e outras manobras?

Nós sabemos que quanto maior o número de pessoas em volta de um trabalho musical, ou de qualquer um outro tipo, mais fantasia e ilusão existe em torno dele.Daí concluir-se que a quantidade não é mais importante do que a qualidade da obra pois o autor sabe, compreende que seu público, embora menor é mais inteligente, qualificado.

Vocês acham que um Chico Buarque gostaria de ser um Roberto Carlos? Duvido!Sabemos que o "sucesso" do Roberto é maior, mas o Chico é mais competente e jamais iria baixar seu nível em troca desse "sucesso" ilusório que falei, acima...!

O Mundo está cheio de exemplos dos que optaram pela qualidade, pelo "ser" e são imortais e continuam influenciando pessoas lúcidas, inteligentes, menos iludidas.

O "ser" tem qualidades que nada as faz desaparecer , nem a morte, pois leva esse registro para o outro plano e trás de volta, numa próxima manifestação, aqui na Terra.

Existe o "ser" das coisas do Mundo terrestre, o que já é mais importante do que o "ter" e existe o "ser" das coisas espirituais, das coisas de Deus, que é o auge.

Aquele que já percebeu que está aqui de passagem passa a se interessar menos pelo "ter" do que pelo "ser" e os ainda mais lúcidos, os que descobriram o valor do "ser" espiritual se interessam, ainda menos pelo "ter".

Quanto mais ilusão tivermos, mais nos inclinaremos para o "ter" e as nossas obras, provavelmente serão menos qualificadas do que as do que contempla o "ser".
Portanto, cabe a cada um escolher:ser ou ter e arcar com as consequências...

Abraços a todos.
Ubiratan Sousa.




quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Flaututti






É Finado Flaututti?
Como, se ao menos se findou a alegria?
Precisa é sacudir as fadas
E nessas horas tamanhas
Abrir uns versos faceiros
Soltar buscapé no ensaio
Tirar a poeira das flautas
Limpar o café do bico
Deixar a moleza ir embora
Abrir a partitura com esmero
Tocar para os passarinhos!
Pois melhor plateia não há!


(Wagner Ortiz)
Para nosso quarteto de flautas que anda sem ensaios.



quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A Palavra Ri




A Palavra Ri
 Palavra cerrada fala
De versos anis, azuis,
De tempo e confusa forma
Das linhas que escrevi
No espaço dos espelhos
Nos reflexos de buquês
Em fio de navalha
Em refrações caóticas
No vazio mudo, silêncio branco
Que a tinta a folha talha.

Palavra seja coberta,
Descoberta, curta ou profusa
Da pena à tela martela.
E a forma serena torna
As linhas em versos se fazem
As letras em pétalas de rosas.
Perfume de cores, exóticas.
Som perfeito, música,
A boca se abre completa
E a palavra em riso se torna.


http://homolitteras.blogspot.com/
Biblioteca Nacional - Lei 9610/88
©Wagner Ortiz - reg. 178-3/299-3


Ao professor Raul ArriagadaCasa

sábado, 20 de agosto de 2011

Violência



De http://democratizandoosaber.blogspot.com



Violência

Tapa...
Volita na face, estrala.
Despeja insana saraiva.
Troveja, pois, toda a raiva.
Irrita, faz da mente vassala.

Bala...
Voa sem rumo, escrava.
Dói sem pena, da tela.
Rói com dolo, martela.
Soa com luto, recrava.

Matar...
Ato ferino, feito ferida
Traga a razão, desfaz o laço.
Adaga fina, ceifa da vida,
Fato interino do nosso fracasso.

©Wagner Ortiz
Reg. BN 178-2/299-3

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A mente e a imaginação




"Imaginação é tudo, é a prévia das atrações futuras"; 

“A imaginação é mais importante que o conhecimento. O conhecimento é limitado. A imaginação envolve o mundo.Eu sou suficientemente artista para desenhar livremente na minha imaginação. Imaginação é mais importante do que o conhecimento. O conhecimento é limitado. A imaginação abraça o mundo inteiro, estimulando o progresso, dando vida à evolução.”— Albert Einstein


As famosas falas de Einstein convence o homem cada vez mais que o caminho para ótimas ideias é a imaginação. Na verdade o que o grande físico quis dizer é que o conhecimento deve ser usado criadoramente, pois sua força potencial não tem limites. Hoje há possibilidade de acessar muita informação com apenas um clique, o conhecimento está espalhado por todos os lugares, se democratizou graças à revolução tecnológica e sobretudo a difusão da internet, porém tais cérebros eletrônicos e sites são incapazes de produzir qualquer ideia. Está tudo no ar e funcionando (graças à imaginação de outros), porém temos que aprender, significar e usar tudo para criar mais. Não adianta todo esse conhecimento democratizado se não há sua absorção pelas mentes, pois há necessidade de existir a mediação desse conhecimento, nos mais difusos processos, para que seja significativo, forme visão de mundo, torne o indivíduo sensível, espiritual, aguçado e crítico, além de tornar esse em um especialista, fazê-lo capaz de expandir o conhecimento e ter o auto-conhecimento.

No Popular, a imaginação é encarada como mera fantasia. Como algo que não ajudará a criança a passar no vestibular ou reproduzir os métodos ensinados, e por esse motivo, crianças são reprimidas pelos professores no exato momento em que sua atenção se desvia do monótono conteúdo programático das aulas e se volta para a dinâmica da sua própria imaginação. Contudo, hoje sob os novos conhecimentos pedagógicos, deve-se cada vez mais promover atividades desafiadoras para os alunos, momentos para que usem apenas a imaginação criadora.

O escritor Alex. F. Osborn, em sua obra "A força oculta", de 1971, em capítulo dedicado a imaginação simplifica sob ponto de vista funcional 4 propriedades de nossas habilidades mentais criativas:

1. Absortiva - habilidade de observar e de aplicar a atenção;
2. Retentiva - habilidade da memória em gravar e lembrar;
3. Raciocinativa - habilidade de analisar e julgar;
4. Criadora - habilidade de visualizar (ou ver mentalmente), prever e gerar ideias.


Há belos exemplos da atividade criadora usada com imaginação, um exemplo musical é Bizet, que nunca foi à Espanha, mas no entanto criou uma obra prima ao escrever a ópera Carmem e as duas suites que retratam a Espanha. Talvez, de tantos defeitos que o homem possui, a imaginação seja uma espécie de redenção, ou melhor, a única parte boa realmente, que pode ser a única coisa perfeita que se justifica a afirmação na Gênesis na semelhança entre Deus e o Homem. A imaginação é simplesmente perfeita!


Ainda falando de exemplos da capacidade imaginativa usada de forma criadora, não há coisa mais incrível que a invenção da gastronomia. O homem evoluiu de simples sementes e raízes, para pratos sofisticados e saborosos. Não foi pouco para se descobrir tudo que se pode comer e o que não pode, como plantar, colher, cozer, preparar, combinar, e até hoje ainda se descobre, pois a cada dia se inventam novos alimentos e formas de prepará-los.


Na nossa sociedade a imaginação geralmente é forçada a funcionar, gerando explosões de ideias novas e melhoramentos na ideia antigas, isso se deve em parte pois desde a entrada da concorrência no mercado produtivo o homem tem que produzir respostas criativas e rápidas. Além disso, quando diante de problemas a necessidade do esforço criador, como é o caso de epidemias, catástrofes, etc. Nesses casos o maior aliado da imaginação é a pesquisa, assim nascem inúmeros estudos científicos com o objetivo de resolver problemas.


Ainda falando do esforço criador, o séc. XXI tem se mostrado um dos maiores desafios da mente humana, pois os problemas globais são tantos que nesse momento crítico em que o mundo sofre com as consequências de outros inventos como a poluição, o aquecimento global, cidades superlotadas, etc. o homem tem a tarefa de usar a imaginação criadora para resolução dos mesmos. Assim vimos diversas hipóteses que foram formuladas para resolução dos problemas atuais, além de novas técnicas sendo usadas e um número cada vez maior de pesquisas sendo realizadas, um exemplo é a tecnologia verde, imaginada para diminuir o impacto da poluição no meio ambiente.


A imaginação é um tema muito amplo para se destrinchar, porém é fácil comprovar como é importante para o homem o pensamento criador para transformação do mundo e da sua vida. Portanto, seja na vida pessoal, financeira, em comunidade, etc. o homem precisa organizar esse mundo, contribuir e melhorá-lo a cada dia.


Conclusão


O valor de um homem deve medir-se pelo que dá e não pelo que recebe. Não se converta em um homem de sucesso senão num homem de valores. (Einstein)

"A árvore que produz maus frutos não é boa e a árvore que produz bons frutos não é má; - porquanto, cada árvore se conhece pelo seu próprio fruto. Não se colhem figos nos espinheiros, nem cachos de uvas nas sarças. - O homem de bem tira boas coisas do bom tesouro do seu coração e o mau tira as más do mau tesouro do seu coração, pois a boca fala do que está cheio o coração." [S. LUCAS, cap. VI, vv. 43 a 45.] (Jesus)

Neste vídeo Terence Mckenna amplia ainda mais essa visão e fala sobre a imaginação como um receptor de informação proveniente de um espaço não-local da experiência que fazemos parte. Algo que se torna cada vez mais forte e presente ao longo do tempo.



quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Russolo: futurismo e pancadaria

    Geralmente digo que para entender a  música do mundo é necessário se abster dos rótulos e pré-conceitos,  assim deixar que os conceitos sejam ampliados, unindo-os e nunca rotulando-os. Muitos compositores procuram arte nas mais diversas culturas do planeta e incorporam elementos dessa riqueza cutural em seus trabalhos que por sua vez geraram obras primas. Basta ouvir o Choro 10 de Villa-Lobos para se conscientizar disso, é tão interessante o uso de outros elementos por Villa que até hoje muitos percussionistas sofrem para aprender a tocar os instrumentos anotados por ele, além do desafio de tocá-los, há o desafio de fazê-los. No caso de Luigi Russolo, amante do ruído, achei interessante a história, vejam os recortes da tese de Hashimoto a reação do público para com sua música futurista.






Recorte de: Hashimoto Almeida, F L. Analise musical de "Estudo para instrumentos de percussão", 1953, M. Camargo Guarnieri; primeira peça escrita somente para instrumentos de percussão no Brasil. Unicamp 2003 - Pgs. 30-31


Luigi Russolo - Veglio Di Una Città (from "Die Kunst der Geräusche")


Luigi Russolo (30 de abril, 1885 - 4 de Fevereiro de 1947 (61 anos)) foi um pintor e compositor Itáliano, futurista e o autor daL'Arte dei Rumori (A arte do ruído) (1913) e Música Futurista.


Intonarumori, instrumento criado por Russolo para produzir ruídos, para ele havia uma realidade muito ruidosa e isso não poderia ser ignorado em sua música.




Vídeo Informativo






segunda-feira, 15 de agosto de 2011

"Não pago pedágio em lugar nenhum"



E então? A advogada está certa? O CIDE é mesmo destinado aos reparos das estradas, já pagamos pedágio ao encher o tanque? Então estamos pagando pedágio quando não usamos as estradas? O pedágio e a privatização tem base legal? E o que dizer do espaço aéreo, pagamos pedágio para voar? Bem, acho que merece no mínimo um exame, e, especialistas devem esclarecer a população.

Aluna de 22 anos afirma: "Não pago pedágio em lugar nenhum"

O texto está correndo o Brasil! LEIA:

06/06/2011
"A Inconstitucionalidade dos Pedágios", desenvolvido pela aluna do 9º semestre de Direito da Universidade Católica de Pelotas (UCPel) Márcia dos Santos Silva choca, impressiona e orienta os interessados.

A jovem de 22 anos apresentou o "Direito fundamental de ir e vir" nas estradas do Brasil. Ela, que mora em Pelotas, conta que, para vir a Rio Grande apresentar seu trabalho no congresso, não pagou pedágio e, na volta, faria o mesmo. Causando surpresa nos participantes, ela fundamentou seus atos durante a apresentação. Márcia explica que na Constituição Federal de 1988, Título II, dos "Direitos e Garantias Fundamentais", o artigo 5 diz o seguinte:

"Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade " E no inciso XV do artigo: "é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens". 

A jovem acrescenta que "o direito de ir e vir é cláusula pétrea na Constituição Federal, o que significa dizer que não é possível violar esse direito. E ainda que todo o brasileiro tem livre acesso em todo o território nacional O que também quer dizer que o pedágio vai contra a constituição".

Segundo Márcia, as estradas não são vendáveis. E o que acontece é que concessionárias de pedágios realiza contratos com o governo Estadual de investir no melhoramento dessas rodovias e cobram o pedágio para ressarcir os gastos. No entanto, no valor da gasolina é incluído o imposto de Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico (Cide), e parte dele é destinado às estradas.

"No momento que abasteço meu carro, estou pagando o pedágio. Não é necessário eu pagar novamente Só quero exercer meu direito, a estrada é um bem público e não é justo eu pagar por um bem que já é meu também", enfatiza.

A estudante explicou maneiras e mostrou um vídeo que ensinava a passar nos pedágio sem precisar pagar. "Ou você pode passar atrás de algum carro que tenha parado. Ou ainda passa direto. A cancela, que barra os carros é de plástico, não quebra, e quando o carro passa por ali ela abre.

Não tem perigo algum e não arranha o carro", conta ela, que diz fazer isso sempre que viaja. Após a apresentação, questionamentos não faltaram. Quem assistia ficava curioso em saber se o ato não estaria infringindo alguma lei, se poderia gerar multa, ou ainda se quem fizesse isso não estaria destruindo o patrimônio alheio. As respostas foram claras. Segundo Márcia, juridicamente não há lei que permita a utilização de pedágios em estradas brasileiras.

Quanto a ser um patrimônio alheio, o fato, explica ela, é que o pedágio e a cancela estão no meio do caminho onde os carros precisam passar e, até então, ela nunca viu cancelas ou pedágios ficarem danificados. Márcia também conta que uma vez foi parada pela Polícia Rodoviária, e um guarda disse que iria acompanhá-la para pagar o pedágio. "Eu perguntei ao policial se ele prestava algum serviço para a concessionária ou ao Estado.

Afinal, um policial rodoviário trabalha para o Estado ou para o governo Federal e deve cuidar da segurança nas estradas. Já a empresa de pedágios, é privada, ou seja, não tem nada a ver uma coisa com a outra", acrescenta.

Ela defende ainda que os preços são iguais para pessoas de baixa renda, que possuem carros menores, e para quem tem um poder aquisitivo maior e automóveis melhores, alegando que muita gente não possui condições para gastar tanto com pedágios. Ela garante também que o Estado está negando um direito da sociedade. "Não há o que defender ou explicar. A constituição é clara quando diz que todos nós temos o direito de ir e vir em todas as estradas do território nacional", conclui. A estudante apresenta o trabalho de conclusão de curso e formou-se em agosto de 2008.

Ela não sabia que área do Direito pretende seguir, mas garante que vai continuar trabalhando e defendendo a causa dos pedágios.

FONTE: JORNAL AGORA

Comentário: E agora, como fica a situação. Quem vai apoiar a advogada?... Ministério Público?... Movimento popular?...
Ela sozinha não vai conseguir convencer o poder constituído.