segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Alma do Violão

Olá amigos Homo Litteras, peço desculpas aos leitores do blog pela ausência e falta de novos artigos, a vida nos reserva várias situações e algumas vezes não sobra tempo para fazermos tudo o que queremos. NO momento este desenvolvendo várias pesquisas, compondo, fazendo arranjos, experimentando outras possibilidades musicais, fazendo a revisão da minha obra musical e lecionando literatura, assim é complexo arrumar uma hora para escrever um artigo que valha a pena ler. Entretanto obrigado por visitar e fiquem a vontade para assistir aos vídeos no youtube que são resultado das revisões musicais.


Agora vamos falar do violão.


Há uns 20 anos conheci um amigo que tocava o violão, ele era um maluco apaixonado por música erudita e também por guitarristas como Satriani, Malmsten, Steve Vai etc. Com a nova amizade conheci também as possibilidades do instrumento e instantaneamente me apaixonei pela "orquestra de bolso". Comecei a estudar com os métodos que ele tinha e a ler as partituras que eram milhares. Assim conheci o violão, mas naquela época nem imaginava que o instrumento era o grande instrumento do músico Latino, assim depois de certo tempo tocando Carulli, Carcassi, Giuliani, etc. tomei conhecimento do poder que instrumento tinha no nosso país e nos demais Latinos. Leo Brower, Santorsola, Paco dela Lucia, Rafael Rabello, Villa-Lobos, Belinatti, etc. são alguns dos magos do instrumento.


Bem, a alma do vilão que quero discutir aqui não é sob a ótica poética, mas da estrutura mesmo. Outro dia pesquisando descobri que a estrutura interna do violão pode variar, como não sabia disso resolvi escrever esse artigo.


Não é nada fácil construir instrumentos, assim a luthieria ou liuteria é uma profissão artística que engloba a produção artesanal de instrumentos musicais de corda com caixa de ressonância. Tais palavras tiveram origem da construção do alaúde, que em italiano se chama liuto; portanto, liutaio significa aquele que faz alaúdes. Essa arte da luteria é divina, pois transformar madeira em instrumentos musicais é um ato de criação muito sensível. Desde a escolha da madeira, ao processo de secagem, corte, projeto, etc. até o produto final, não é tarefa fácil.


Em todos os tipos de violão o corpo tem as funções de caixa de ressonância e de fixação das cordas. Ao contrário dos instrumentos de arco como violino, o violão não tem alma, ou seja, em instrumentos de arco, o som produzido pelas cordas é transmitido ao corpo oco do violino, denominado caixa de ressonância, pela alma, um cilindro de madeira que fica dentro do corpo do violino, mais ou menos abaixo do lado direito do cavalete. A alma liga, mecânica e acusticamente, o tampo superior ao inferior do violino, fazendo com que o som vibre por todo o seu corpo. No violão podemos considerar a alma o seu tampo, pois tem a função de transmitir a vibração das cordas para o restante da estrutura da caixa de ressonância.


O tampo



A principal parte do corpo do violão, pois as cordas são fixadas ao tampo, no cavalete, quando elas vibram todo o tampo vibra também, assim acontece a amplificação acústica na caixa de ressonância. Funciona mais ou menos como uma membrana, assim o tampo é uma lâmina fina de uma madeira altamente flexível, porém resistente para aguentar a pressão das cordas. Geralmente feito de cedro, mas várias outras madeiras podem ser usadas.
Dizem que os melhores instrumentos são obtidos de árvores com pelo menos 200 anos!!!! Isso porque possuem veios praticamente paralelos, o tampo geralmente é feito de uma única peça de madeira dividida ao meio e colada.
Fundo de um violão Kasha-Schneider sendo construído no atelier de Antônio de Pádua Gomide

A boca do violão, no centro, serve para permitir a passagem do ar em vibração, nela há um anel, mosaico ou roseta, feito em marchetaria colado que é marca do luthier.
 
      Fleta                                         Leivas Silva

Montagem da roseta

Agora a parte mais sensível. Na parte interna do tampo há uma complexa estrutura de barras ou ripas de madeira construída para moldar a vibração do tampo, muitos a chamam de leque, funciona como um filtro de harmônicos e para absorção de ruídos indesejáveis. Em geral o número de barras e o desenho utilizado é característico de cada luthier ou de cada modelo.
Leque do tampo Torres

Tampos e fabricantes 


Veios da madeira, cada veio corresponde uma ano de vida da árvore


Tessitura


Sites:


Alguns Violonistas Brasileiros

Marco Pereira


Blog do Violão - Fábio Zanon - Completo









2 comentários:

PATY disse...

Olá,
mas que saudade de seus escritos!

Eu sempre dou uma passadinha por aqui e você na correiria nada de nos escrever!

A espera valeu a pena!

Muito interessante a forma de feitura de um violão e seus nomes específicos segundo sua montagem.

Realmente é muito importante que o luthiero seja não só um artista, mas também tenha o dom, senão o instrumento não exalará a alma do artista que o toca, ainda que com maestria.

Amei, aprender mais sobre o violão...

Bjokas SU :)

Cristian disse...

Oi , uma consulta. Eu tenho um violão yamaha APC500 com o tampo empenado. Sera que um luthier poderia tirar a tampa, colar uns reforços e colocar a tampa de novo? Tem ideia de quanto custaria (para saber se valeria a pena). Obrigado