quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Intertextualidade, citação ou transcriação de uma obra musical


  Outro dia resolvi compor um poema sinfônico inspirado na bela obra de Ubiratan Sousa chamada Liberdade em Consonância. A peça original para canto, violão com arranjos para violino, cello ou flauta. Não é fácil criar a partir de uma obra assim, pois a mesma já tem suas características e referências para o compositor e seus ouvintes. Mas a prática de fazer música nova a partir de outra não é nada novo.

  Em música quando se faz menção de outra não é plágio, desde que o trecho ou metamorfose faça menção ao autor da obra original, daí chamar de "citação". Entretanto existe muitos tipos de uso de trechos de música, e há músicos hoje em dia que criam novas com vários pedaços de outras, uma técnica chamada colagem, ou mesmo uma mix ou remix.

 A arte da variação de um tema começa na  música antiga e se amplia ainda mais na música barroca, onde haviam sido estabelecida formas próprias como Passacalia, Burlesca, Burre, Giga, etc. Certas obras eram construídas em cima de poucos compassos (temas autorais ou não) e depois o compositor "esgotava-o" fazendo uma série de inversões e variantes.


sexta-feira, 20 de junho de 2014

Justiça no Brasil: Qual o melhor candidato para 2014?


Dizem que a justiça no Brasil é piada. 
Se é piada, é há muito tempo! Mais ou menos de 1500 para cá. 


© Nani Humor
http://www.nanihumor.com/2010/04/justica-brasileira.html



Muita gente fica disputando sobre candidato X ou Y! Cada um deve pensar e refletir. 

Penso que devemos ter um "medidor", um sensor que nos diga quem, o que, por qual meio, promove os valores humanos. Enganar, roubar, deturpar, injustiçar, dominar, manipular, etc. são ações contrárias aos valores humanos, quem as pratica não serve de exemplo. 






© Creative Commons
Se formos falar de justiça no Brasil é complicado, e nem tudo é culpa do PT ou PSDB. Assim está em evidência o nome do juiz do STF Joaquim Barbosa que iniciou o julgamento dos envolvidos no mensalão. As pessoas ficam revoltadas com o caso do mensalão do PT, pois foi o que teve maior repercussão na mídia. Mas por interesse de quem? Ouvimos falar de outros crimes políticos, mas nenhum tão comentado como o mensalão. Contudo é comum para financiamento de campanhas o uso de caixa 2 e sonegação de impostos e esquemas de superfaturamento, o problema nesses casos é a falta de provas.

Um exemplo para refletirmos é o genocídio de indígenas, lutam há 500 anos por posse de terras ancestrais, nessa luta a mídia interesseira se omite, como por exemplo omitiu as imagens do índio (que soltou a pomba) com uma faixa de protesto na abertura da copa. Como o "medidor" vai classificar essa ação? Qual é o papel da mídia e imprensa? De modo geral, houve justiça para com eles? 

Se for falar, lembrem-se que milhares de crimes e crueldades foram cometidos pelos déspotas e simpatizantes que instauraram a ditadura no Brasil durante o regime militar. Desses, que eu saiba, ninguém foi sequer julgado como foi feito na 2a Guerra e com alguns atualmente pelo mundo. Esses criminosos da ditadura, a maioria já morreu, usufruíram de benefícios e contribuições advindas dos nossos impostos, e até hoje seus netos recebem pensões "gordas" e vitalícias, enquanto um aposentado, outrora trabalhador, ganha um salário pífio. E agora? Existe justiça aqui?

Bem, não é necessário falar de todos os fatos históricos aqui! Basta que cada um coloque em funcionamento o "medidor" e refletir. 

Mas, onde estão as verdades se há manipulação e dominação por todos os lados? 

As verdades estão nos resultados, nas causas e consequências das ações. O resultado da dominação indígena é o conflito, que causou a morte de milhares deles em seguida das dos escravos afros, e no caso da ditadura, morte, a perca da liberdade, da democracia e da cidadania. Essa é a verdade!

Então usem o "medidor" e saberão a verdade, seja de que natureza for!!! 

Vote consciente!

Abraços!

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Koellreutter: "As revoluções musicais de um mestre Zen"

Koellreutter e sua Hammig transparente.
Transparência era conceito de sua música.
Achei recentemente um livro disponível na internet que narra os episódios da vida do compositor Hans Joachim Koellreutter. Muito interessante a sua história de vida narrada por Emanuel Pimenta na obra "As revoluções musicais de um mestre Zen". O nosso mestre alemão ensinou a todos nós com seus conceitos de liberdade e transcendência durante toda sua vida. Tive o prazer de ser seu aluno, ainda que de modo informal, nossos diálogos foram muito mais do que aulas sobre harmonia e estética. Aprendi com esse mestre o valor de cada som e a deixar a mente livre de preconceitos para poder criar tudo o que ela me sugestionasse. Junto com Sérgio Villafranca (meu professor de música de câmara voltado para música do século XX que nos apresentou) fizemos o CD ACRONON, um trabalho de Sérgio que é dedicado a cada período do compositor. No CD cheguei a tocar com a famosa flauta transparente do mestre que hoje está na Fundação Koellreutter, me lembro que cheguei até fazer uns conSertos na sua flauta Hammig de acrílico. Foi um prazer ser amigo-aluno dessa figura ilustre que nos deixou saudades.

 PIMENTA, E. D.M. "As revoluções musicais de um mestre Zen" 1a Ed. 2010

Sobre Acronon



Acronon é um ensaio (pois são configurações abertas e delineadas), de forma planimétrica,
variável e assimétrica. São três graus de andamento e 18 módulos (gestalts) sonoros, combinados aleatoriamente pelo intérprete, seguindo a partitura escrita (em cores) numa esfera transparente.

"Acronon" significa ser independente e livre do tempo medido, do tempo do relógio, do metrônomo e, em termos musicais, da métrica racional, da duração determinada, do compasso. É uma tentativa de realizar música que ocorre no âmbito de um tempo qualitativo -o tempo como forma de percepção.

Para saber mais:

Coautoria de Sérgio Villafranca e Wagner Ortiz da obra Acronon, 
interpretação sobre a Esfera e releitura da obra original.
Gravado em Estúdio Santa Marcelina
Técnico Eduardo Avellar

CD: Acronon - Hans-Joackin Koellreutter
(Sérgio Villafranca, piano)
Estúdio Santa Marcelina
Independente

Felipe Soares e Sérgio Villafranca a Esfera
em Festival de Música da ULM



sexta-feira, 23 de maio de 2014

Catador

Pimp My Carroça, http://migre.me/gtAnj

Catador


Cato lata
Meto a cara no lixo
Meto o lixo na cara
Catando lata.C
Acho comida
Aperto a barriga funda
Apertando a funda comida
Achada no fundo da lata.
A lata ferida.
A lata encardida,
Maldita lata bendita.

Tamanha decepção!
Tamanha dureza!
Tamanha cegueira mortal!
Excluído,
Sem olhos
Sem boca
Sem ouvidos
Sem alma
Tamanha é a cegueira mortal!

Neste coração sem vida,
Corre sangue etílico
Amortizando
Cada batida.
Uma a uma
O coração,
Agora feito lata,
Lata no lixo,
Espera,
Implora,
Geme
Que algo,
Não sei quem,
Seja morte,
Seja Deus,
Seja o capiroto mão preta,
Me catem...
Pela amor de Deus!!!!

Mas essa lata “desvalorada”
“Desvalida”
Desvestida
Descolorada
Desqualificada
Debulhada
Depenada
Deprimida
Depressiva
Fudida...
Foda-se!

Cheiro fumaça, me preteja
O nervo explode.
A carroça me fede
As mentes se turvam.
A roda me prende
O homem me morde.

A carroça não me frena,
O freio frena,
A todo segundo me queima,
Não frena a ira
Da minha mãe já maculada
Das injúrias
Dos reles robóticos,
Desditosos
Passantes da vida,
Gastadores escravos.

Olhe agora,
Verdadeiros catadores rotos,
Não de latas,
Nem de pets,
Mas de lástimas pútridas,
De teu ofuscamento,
Da tua ganância,
Pobres, paupérrimos de fato.
Eis o teu papelão:
Tua miséria moral.


Wagner Ortiz
15/05/2014

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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014