segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Reavesso Recomeço


© by Wagner Ortiz Reg. BN 178-2/299-3 PPF8

18 de Janeiro livre


O que dura
Já não se procura.

O que não dura
É o que se procura.

O que dura, vale,
Respalda crente,
Toma a mente inteligente.

O que não dura, desvale,
Espalma a mente,
Toma quase toda gente.

E assim tudo se vai ao avesso,
Eu procurando o reavesso,
Toda gente no recomeço.


©Wagner Ortiz
Todos os direitos reservados.
BN Reg. 178-2/299-3

domingo, 17 de janeiro de 2016

Flor d água


© by Wagner Ortiz Reg. BN 178-2/299-3 PPF8


17 de Janeiro


Flor d`água

Flor, alma das Primaveras,
A verdade em todas Eras,
Um tesouro absoluto.

Flor gera fruto,
Fruto sabor,
Sabor outra flor.

Flor é a beleza,
Camélia branca.
A alma é flor,
Camélia rosa.

É flor a pureza,
Calla branca.
O amor é flor,
Cravo branco.

Flor é vida.
É natureza,
Azaleia rosa,
Criação, com certeza.

A flor é menina,
Do amor deflorada,
É mulher, amada flor.

Rosa branca,
Silêncio branco,
Paz de Deus.

Dente-de-leão,
Espalha a alegria.

Rosa vermelha,
Tinge nossa mão,
Promove a união.

Flor de Açafrão,
Luz divina.

Violeta lealdade.

E do poeta, que flor?

A da névoa úmida,
Do hálito das flores,
Borrada no vidro,
A flor d`àgua.

Flor gera fruto,
Fruto sabor,
Sabor outra flor.

A flor d`água
Gera poesia,
A poesia sabor,
Sabor de todas as flores.



©Wagner Ortiz
Todos os direitos reservados.
BN Reg. 178-2/299-3

sábado, 16 de janeiro de 2016

Elefantes coloridos


© by Wagner Ortiz Reg. BN 178-2/299-3 PPF8

16 de Janeiro


Elefantes coloridos

Abri um livro,
Bebi uma página.
Bebi mais uma.

Comi uns versos,
Alguns se estalaram
De tão duros.

Abri um romance,
Bebi uma página.
Bebi mais uma.
Bebi um capítulo.
Sem parar, degustei vinte e um capítulos.

Já zonzo,
Sorvi um livro inteiro
Bebi-o todinho.

Então decidi provar coisa mais forte.

Abri um maduro Saramago.
Depois apreciei um encorpado Gullar
E uma dose tripla dos Noigandres.
Com a língua enrolada
Finalizei com uma dose de Neruda.

Soluçando, zonzo e azul,
Com os olhos embaçados,
Vermelhos e cheio de letrinhas
Em volta da minha cabeça
Dançando um balé,
Deitei no sofá.

Logo vieram eles,
Elefantinhos coloridos,
Verde, amarelo rosa e carmim;
Inebriando-me com sua dança
Que se faziam versos para mim.

©Wagner Ortiz
Todos os direitos reservados.
BN Reg. 178-2/299-3

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Voz de Papel


© by Wagner Ortiz Reg. BN 178-2/299-3 PPF8
Mandala Airuma,projeto:Falk Brito
Foto: Marcella Origamis


15 de Janeiro

Voz de Papel

Desaprovo essa falta de mim!
Simplesmente me fazem assim,
Da forma que querem, me alteram.

Alguns me notam, até reagem,
Mas logo me dobram, redobram,
Eu me contorço, tento morto não ser.

Outros chegam de letras me enchem,
De discursos, de linhas, de arabescos;
Eu até argumento, levo-os adiante,

A mensagem, a tatuagem,
O desenho, o projeto,
A agenda, a anotação,
E finalmente: o origami e a poesia.

Mas, o que eu quero ser?
Simples papel, dos outros portador?

Desaprovo essa falta de mim!
Simplesmente me fazem assim,
Da forma que querem, nem me agradecem,
 Como se mudo e surdo eu fosse.

Mas, o que eu quero ser?

A mensagem, a tatuagem,
O desenho, o projeto,
A agenda, a anotação,
O origami e a poesia.

Mas, que eu,
Mesmo em rascunho,
Mesmo com essa voz de papel,

Que eu proclame a arte!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Coração de Papel


© by Wagner Ortiz Reg. BN 178-2/299-3 PPF8

Foto: Marcella Origamis
Autoria: Hideo Kumayama

14 de Janeiro


Coração de Papel

O Universo fez-me obra,
Deu-me para Terra,
Que flora me fez.

A Terra fez-me flora,
Deu-me para floresta,
Que crescer me fez.

A floresta fez-me madeira,
Deu-me ao lenhador,
Que lenha me fez.

O lenhador fez-me lenha
Vendeu-me ao Mestre Kai Lun
Que papel me fez.

Mestre Kai Lun fez-me papel
Vendeu-me ao gráfico
Que caderno me fez.

O gráfico fez-me caderno
Vendeu-me ao papeleiro
Que produto me fez.

O papeleiro fez-me produto
Vendeu-me ao poeta
Que seu coração de papel me fez.

O trovador fez-me obra nova,
Devolveu-me ao mundo,
Como o Universo me fizera.




©Wagner Ortiz
Todos os direitos reservados.
BN Reg. 178-2/299-3

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Versos de Flores


© by Wagner Ortiz Reg. BN 178-2/299-3 PPF8
autoria: David Martínez Pantoja
Foto: Marcella Origamis


13 de Janeiro

Versos de Flores

Se fadas me faltam
Não me faltam as flores.

Se o luar se esconde,
Não se escondem pétalas.

Se a água de mim seca,
Brotam-me as flores em íntimos sons.

Se o vento não sopra,
Não me faltam as fragrâncias.

Essas flores, às vezes rimam,
Às vezes são métricas ou não.

Se lhes falta terra,
Dou-lhes o papel.

Seja flor de lis, seja de lótus,
Sejam curtas, sejam profusas,

Se nada der certo,
Não me deixam suas raízes.

Sou um coletor de versos,
Se me faltam versos, colho flores!


©Wagner Ortiz
Todos os direitos reservados.
BN Reg. 178-2/299-3

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Poema em forma de Tsuru


© by Wagner Ortiz Reg. BN 178-2/299-3 PPF8

12 de Janeiro

Poema em forma de Tsuru

Dobrei umas sextilhas,
Umas sapecas meninas,
Às vezes um tanto ferinas,
Que em minha voz vociferam.

Dobrei verso maior,
Vinquei verso menor,
De tantos ao meu redor
Servi-me da patusca trupe.

Dobrei decassílabos,
Épicos e pomposos,
Perfeitos e gostosos,
Mas nada que me atina.

Não os queria só polidos,
Queria-os versos volantes,
Escrevendo-os como dantes,
Soltando o verbo, a mofina.

Trovando ao capitalismo,
Cegueira maldita,
Proeza que incita
Toda mentira e falta de Ser.

Peguei outra folha
Rabisquei um xis,
Um concreto eu fiz,
Que sabe das inversões.

Inversões que sempre desdenhei,
Que sempre que pude delatei,
Sejam com sextilhas meninas,
Safos ou martelo agalopado.

Dobrei minhas folhas,
Amassei meu verso,
Encantei-me imerso
No meu desejo dos Mil Tsurus!


©Wagner Ortiz
Todos os direitos reservados.
BN Reg. 178-2/299-3



Vocabulário:

Dodecassílabos, ou safo
[Literatura] Diz-se do verso português decassílabo, com acentos na 4.ª, 8.ª e 10.ª sílabas. = LESBÍACO


"sáfico", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/s%c3%a1fico [consultado em 15-01-2016]


Épico
Da .epopeia ou a ela relativo; próprio da .epopeia.

TSURU

Tsuru é uma ave sagrada do Japão. É o símbolo da saúde, da boa sorte, felicidade, longevidade e da fortuna.

Conta a lenda japonesa que o tsuru pode viver até mil anos. É considerado o pássaro companheiro dos eremitas que se refugiavam nas montanhas para meditar, acreditando possuírem poderes sobrenaturais para não envelhecer.

Diz a lenda japonesa que se a pessoa fizer 1000 tsurus, usando a técnica do origami – arte secular de dobrar o papel, com o pensamento voltado para um desejo, ele poderá se realizar.

Inicialmente o origami do tsuru tinha apenas função decorativa, era utilizado para enfeitar o quarto das crianças. Mais tarde, o tsuru foi associado às orações, sendo oferecidos nos templos, acompanhados de pedidos de proteção. Hoje é usado como enfeite nas festas de ano novo, batizados, casamentos, entre outras comemorações.

http://www.significados.com.br/tsuru/



segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Sapatinhos de papel lilás





© by Wagner Ortiz Reg. BN 178-2/299-3 PPF8

11 de Janeiro

Sapatinhos de papel lilás

A fadinha, a mim fiel, perfaz
Quadradinha rima, mel vivaz.

Caladinha, menestrel me faz,
Azul magia, Rampunzel me trás.

A madrinha sopra meu anel sagaz,
Encanta-me teu dossel primaz.

Ah mocinha, pra mim, céu, aliás!
Capuchinho me arranca, rarefaz.

Vê-la não posso, revel se liquefaz,
Mas ouço o tirlintar dos seus pés.

Seus sapatinhos de papel lilás

Que em minha poesia mel traz.



©Wagner Ortiz
Todos os direitos reservados.
BN Reg. 178-2/299-3 11S

domingo, 10 de janeiro de 2016

Gato Poeta


© by Wagner Ortiz Reg. BN 178-2/299-3 PPF8


10 de Janeiro

Gato poeta
Foto e Origami: Marcela Evelyn
Projeto: Roman Diaz


É fácil,
Capturar a poesia
Nos olhos do gato?

Prefácio,
Imerso me esvazia,
Meu verso inexato.

Em palácio
Adentra todo dia,
Rei gato, doce gaiato.

É grácil!
No olhar de regalia,
Requinte, fino trato.

Com a patinha,
Rege a própria melodia,
Seu prato, meu prato.

Na escrivaninha,
Salta, arranha poesia,
No papel que engato.

Verso acarinha,
Ronrona, a pena media;
E os olhos enfim desato.

Posfácio
Na almofada, sua alegria;
Faz inveja ao literato.


©Wagner Ortiz
Todos os direitos reservados.
BN Reg. 178-2/299-3

sábado, 9 de janeiro de 2016

Chamado de São Francisco de Assis


© by Wagner Ortiz Reg. BN 178-2/299-3 PPF8
Foto e Origami: Marcella Evelyn
Projeto: Vera Young, Emilson Nunes dos Santos, Marcio Jorge Galvão

09 de Janeiro

Chamado de São Francisco de Assis 
por Wagner Ortiz

Seu Giovanni nasceu rico,
São Francisco de Assis, pobre.
O primeiro fez-se do cobre,
Mas o distinto cresceu nobre.

O de Assis, assim, tão jovem,
Conhecido lhes promovem.
Amado de todo o pajem,
Para o pai, filho pródigo.

Anarquia tem por guia,
Aventura lhe alegra,
A bebida lhe integra,
Com dinheiro não há regra.

Um herói deseja ser,
Mas foi todo desprazer,
Cativeiro só o fez prender,
Infeliz nada aprendera.

Mas esse pobre valente,
Serve um dia ao papado,
Como um cavaleiro alçado,
Por Deus fora derrotado.

Ainda que a voz do supremo
Confundisse-lhe ao extremo,
Seguiu seu gênio bondoso,
Saber da fé quis obtê-lo.

Ajudar ao pobre logo,
Essa é a regra nova,
Mas seu pai o desaprova,
No porão o filho prova.

Livra-o a mãe dolente, cede;
Ao bispo socorro pede,
Mas seu pai com mal procede,
Reclamando toda monta.

Ao pai dá as roupas, se despe,
Renuncia o mundano cobre,
Pois Francesco que era pobre,
São Francisco de Assis, nobre!



©Wagner Ortiz
Todos os direitos reservados.
BN Reg. 178-2/299-3

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Estrelinha Sorridente


© by Wagner Ortiz Reg. BN 178-2/299-3 PPF8

8 de Janeiro
Parabéns Marcella Evelyn 



Estrelinha Sorridente


Umas estrelas morrem
Outras brilhantes nascem.

Uma do peito nó dolente,
Outra, riso sempre sorridente.

O chão se borra de amora,
Meu peito geme e chora.

Mas se minha alma carente,
No céu olha de repente.

Brilha outrora a mazela,
Canta, encanta a donzela.


Umas estrelas morrem
Outras brilhantes nascem.

Nasceu estrelinha mais linda,
Viva cada dia mais ainda!

© by Wagner Ortiz Reg. BN 178-2/299-3 PPF8

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Dança da Girafa Zar Afat


© by Wagner Ortiz Reg. BN 178-2/299-3 PPF8
Foto e Origami: Marcela Evelyn
Autor: Joshua Gotman

07 de Janeiro
Parabéns Marcos Kiehl, Pierre Rampal e Poulanc


Dança da Girafa Zar Afat 
by Wagner Ortiz

Gira na dança rápida a Girafa,
Riso se torna, em drástica ciranda,
Graça da raça, pé de valsa bambo.

Corre na relva, inábil passo, zambo,
Foge depressa, único sucesso!

Minto, que a alta da África alcança,
Balança a pobre Acácia, com dança.

Não é insucesso! É sua língua certeira,
Colhe a folha, que é áspera e inteira,
Desce-lhe o pescoção de travesso.

Chora a pobre, tácita fulmina,
Rola em pelo fulvo, lágrima salina.

- Zar Afat, íngreme teu colo,
Longo, magnânimo pescoço!
Que trocaste por esse colosso?

Já que é fato, épico assim tê-lo,
Serias realeza, altíssima, invés
Muda, triste, por índole assim sê-lo.


©Wagner Ortiz
Todos os direitos reservados.
BN Reg. 178-2/299-3



Zar Afat – (árabe) 1. girafa
Tácita - adj 1. Poét. Calada, silenciosa.
Fulvo – adj  ruivo, alaranjado
Íngreme – impinado
Magnânimo – Que tem grandeza
Colosso – enorme, gigante
Épico - sublime

Índole – propensão natural.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Coruja by Wagner Ortiz


© by Wagner Ortiz Reg. BN 178-2/299-3 PPF8
06 de Janeiro

Origami e Foto: Marcela Evelyn
Projeto: Roman Diaz

Coruja

Coruja
Me espia
Na luz
Do Luar.

Sobrepuja,
Me expia
Sua luz
Solar.

Coruja,
Litteris
Que a mim
Dá saber.

Me intruja¹
Sua flor de lis,
Meu Latim,
Bem querer.

 ©Wagner Ortiz
Todos os direitos 
reservados.

BN Reg. 178-2/299-3






Vocabulário:

Lit.te.ris, Lit.te.ra (latim) – 1.Letras
in·tru·jar - Conjugar
(origem obscura)

2. Compreender, intrujir, perceber.

"intruja", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/intruja [consultado em 07-01-2016].

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Poeta Cavaleiro


© by Wagner Ortiz Reg. BN 178-2/299-3 PPF8
05 de Janeiro

Foto e Origami: Origamis Marcella EvelynProjeto: Fabian Correa Gómez

Poeta Cavaleiro

No lombo do Tarpan,
Morreu a nobreza.
Finou-se do afã
Quase toda realeza,
No lombo da pobreza
Nasceu a tristeza.

No lombo do cavalo
O nobre cavaleiro
Fez dolente o vassalo.
Seja valente toureiro,
Corajoso arqueiro,
Trouxe o cativeiro.

No lombo do cavalo
A vida viu a morte
Qual rosa despetalo.
Não deu a ela sorte
Carregou-a consorte
Despedaçou-a o forte.

Ainda hoje no afã
Morre a nobreza,
Fina-se o Tarpan,
Quase toda realeza,
No lombo sua pobreza
De toda sua tristeza.

No lombo do cavalo
Há nobre verdadeiro,
Faz sorridente o vassalo.
Jura por inteiro
Proteger o trigueiro,
Indefeso moleiro.

Quero em meu cavalo
Ser nobre verdadeiro
Ver sorridente o vassalo
E cidadão por inteiro,
Proteger com seresteiro,
Indefeso prisioneiro.

No lombo de mil cavalos
A vida verá a arte,
Cérebros, quero despertá-los!
Que o parco dela se farte,
Faça dela seu baluarte,
Carregue-a por toda parte.


©Wagner Ortiz
Todos os direitos reservados.
BN Reg. 178-2/299-3