Rosa Negra
Suadas pétalas negras,
Cansadas pálpebras tristes!
Calada voz vocifera
O amargo fel infestante
Que a alma dilacera,
E o poeta implora taciturno,
Quedo, mudo, noturno.
Cansadas pétalas negras,
Suadas pálpebras tristes!
Não há Arlequim nem Pierrô,
Só a pele marcada, dourada,
Serena, cravada com os espinhos da flor,
A negra flor que outrora foi ardor.
Cansadas pétalas negras,
Suadas pálpebras tristes!
E os olhos trazem a imagem,
O reflexo da negritude flor,
Espedaçada, espalmada do ardor,
Retina desprezada, mal amada.
Suadas pálpebras tristes,
Cansadas pétalas negras!
Do ferrão brota uma ateia,
E a triste aranha fia a teia,
Nas pálpebras tristes alteia,
De fulgaz espírito agora vagueia.
O talo da planta crava,
Enterra no seio, sem receio.
O espinho encardido rejeita,
Aleija o peito, não tem jeito.
Mas o sonho sob a pele dourada,
Serena, morena, marcada,
Cravada com os espinhos da flor,
Desabrocha um rebento vigor.
Enxutas pálpebras tristes,
Morta enfim a rosa negra!
©2010 - Wagner Ortiz
Foto: não foi localizada a autoria
