

Humanismo foi o movimento intelectual que germinou durante o século XIV, no final da Idade Média, e alcançou plena maturidade no Renascimento, orientado no sentido de reviver os modelos artísticos da antiguidade clássica, tidos como exemplos de afirmação da independência do espírito humano. Nos últimos séculos da Idade Média, sobretudo nas cidades da Itália, ocorrera um notável crescimento da burguesia urbana. Os nobres e burgueses enriquecidos adquiriram condições de dar à cultura um apoio antes exclusivo da igreja e dos grandes soberanos.
No Renascimento, o humanismo representou também uma ideologia que, sem deixar de aceitar a existência de Deus, partilhava muitas das atitudes intelectuais e existenciais do mundo antigo, integradas com as contínuas descobertas sobre a natureza e as novas condições de vida geradas pelo auge do comércio e da burguesia mercantil. Os mestres deram as costas à idealização medieval da pobreza, do celibato e da solidão, e em seu lugar destacaram a vida familiar e o uso judicioso da riqueza.
Contexto histórico e social
O conhecimento circulava mais agilmente pela cidade; a invenção da Imprensa (Gutenberg - 1450), vem dinamizar definitivamente este processo, tirando da Igreja a posse do acervo cultural: as obras podiam ser reproduzidas em menor tempo e maior quantidade, propiciando a formação de bibliotecas fora dos mosteiros. Embora o padrão cultural e intelectual ainda fosse aquele sinalizado pela nobreza e pelos setores eclesiásticos, é a classe média quem financia a cultura e a vida urbana que fornece seus temas. Assim, a conformação psicológica do burguês, mais centrada na observação e no raciocínio, assume um papel importante na produção cultural. O "conhecer pela observação" substitui gradativamente o "conhecer pela fé". Deus lentamente desloca-se do centro da atenção do homem, que começa a prestar atenção em si mesmo. É o movimento humanista que prepara uma definitiva transformação na concepção do mundo: o antropocentrismo que se concretizará nos séculos seguintes.
Esses novos valores, assumidos pelo homem a partir do século XIV, deixarão sua marca na produção artística: na pintura, a figura humana ganha forma, expressão e proporção; a música torna-se polifônica, a arquitetura gótica agoniza.
Para se entender a respeito dessas mudanças, segue um vídeo extraído do musical "Notre Dame de Paris" baseado no livro homônimo de Victor Hugo, no qual há uma reflexão sobre as mudanças que ocorreram durante esse período:
Florença
Fale-me de Florença
E da Renascença
Fale-me de Bramante
E do Inferno de Dante
De Florença contam
Que a Terra é redonda
E que haveria outro
Continente neste mundo
Os barcos já partiram sobre o oceano
Em busca da rota das Índias
Lutero vai reescrever o Novo Testamento
E nós estamos à aurora de um mundo que se divide
Um certo Gutenberg
Mudou a face do mundo
Com as prensas de Nuremberg
Que imprimem a cada segundo
Poemas em papel
E discursos em panfletos
Novas idéias
Que vão varrer tudo
As pequenas coisas superam as grandes
E a literatura substituirá a arquitetura
Os livros das escolas dissiparão as catedrais
A bíblia acabará com a igreja e o homem matará Deus
Isso acabará com aquilo
Os barcos já partiram sobre o oceano
Em busca da rota das Índias
Lutero vai reescrever o Novo Testamento
E nós estamos à aurora de um mundo que se divide
Isso acabará com aquilo
Isso acabará com aquilo
Literatura

A Literatura oscila entre a preservação de antigos valores e a preparação de um novo homem. Na Literatura Portuguesa o início desse período é marcado pela nomeação de Fernão Lopes como cronista da corte portuguesa e o final com a obra teatral de Gil Vicente. Nestes dois autores percebe-se uma concepção cristã da vida: o primeiro tentando dirigir espiritualmente a aristocracia, o segundo, se apoiando em valores cristãos e medievais. Mas a obra de ambos é mais ampla do que isto.
De uma postura religiosa e mística, o homem passa gradativamente a uma posição racionalista.
O Humanismo funcionará como um período de transição entre duas posturas. Por isso, a arte da época é marcada pela convivência de elementos espiritualistas (teocêntricos) e terrenos (antropocêntricos).
- Historiografia
Registro escrito da história. Durante o Renascimento, o Humanismo trouxe um gosto renovado pelo estudo dos textos antigos, gregos ou latinos, mas também pelo estudo de novos suportes: as inscrições (epigrafia); as moedas (numismática) ou as cartas, diplomas e outros documentos (diplomática). - Prosa doutrinária
As crônicas históricas passam a ser escritas pelos próprios reis, especialmente da dinastia de Avis, com os exemplos de D. João I, D.Duarte e D. Pedro. Essa produção recebeu o nome de doutrinária, porque incluíam a atitude de transmitir ensinamentos sobre certas prática diárias, e sobre a vida. Alguns exemplos: Ensinança de bem cavalgar toda sela, em que se faz o elogio do esporte e da disciplina moral, e Leal Conselheiro, em que se estabelecem princípios de conduta moral para a nobreza m ambos de D. Duarte; livro de Montaria (D.João I) sobre a caça; e outros. - Poesia palaciana
Produção lírica produzida na corte lusitana. Essa produção poética tem uma certa limitação quanto aos conteúdos, temas e visão de mundo, porque seus autores, nobres e fidalgos, abordavam apenas realidades palacianas, como assuntos de montaria, festas, comportamentos em palácios, modas, trajes e outras banalidades sem implicação histórica abrangente. O amor era tratado de forma mais sensual do que no Trovadorismo, sendo menos intensa a idealização da mulher. Também, neste gênero poético , ocorre a sátira. Formalmente são superiores à poesia trovadoresca, seja pela extensão dos poemas graças à cultura dos autores, seja pelo grau de inspiração, seja pela musicalidade ou mesmo pela variedade do metro estes dois últimos recursos conferiam a cada poema a chance de possuírem ritmo próprio. Os versos continuavam a ser as redondilhas e era normal o uso do mote. A diferença mais significativa em relação às cantigas do Trovadorismo é que as poesias palacianas foram desligadas da música, ou seja, o texto poético passou a ser feito para a leitura e declamação, não mais para o canto. - Teatro
Durante a época medieval, o teatro era essencialmente religioso, limitando-se a representações litúrgicas do Natal e da Páscoa. No Humanismo, o teatro segue um novo rumo, com as peças de Gil Vicente, que se utiliza do alegórico-religioso para construir caricaturas profanas. Por meio de seus autos* critica as várias camadas da sociedade: povo, nobreza e principalmente o clero, condenando a luxúria e os abusos dos padres. Gil Vicente acredita que a verdadeira salvação do homem encontra-se na pureza do espírito.
*Auto: É um sub-gênero da literatura dramática. Tem sua origem na Idade Média, na Espanha, por volta do século XII. Em Portugal, no século XVI, Gil Vicente é a grande expressão deste gênero dramático. Camões e Dom Francisco Manuel de Melo também adotaram esta forma.O auto era escrito em redondilhos e visava satirizar pessoas. Como os autos de Gil Vicente deixam perceber claramente a moral é um elemento decisivo nesse sub-gênero.
Gil Vicente (1465 - 1536)

Gil Vicente é geralmente considerado o primeiro grande dramaturgo português, além de poeta de renome. Ele critica, em sua obra, de forma impiedosa, toda a sociedade de seu tempo, desde o papa, o rei o alto clero, até a mais baixa classe social: os feiticeiros, as alcoviteiras e os agiotas.
Acreditando na função moralizadora do teatro, colocou em cena fatos e situações que revelavam a degradação dos costumes, a imoralidade dos frades, a corrupção no seio da família, a imperícia dos médicos, as práticas de feitiçaria, o abandono do campo para se entregar às aventuras do mar.
Sua crítica tem um objetivo: reaproximar o homem de Deus. Nesse sentido, Gil Vicente se revela um homem de espírito e formação medieval, expressando uma concepção teocêntrica, numa época de profundas transformações sociais e culturais.
Gil Vicente escreveu mais de quarenta peças. Dentre elas, destacam-se:
Conclusão
O Humanismo foi um período fortemente marcado pelas mudanças sociais e da ciência, bem como da relação entre ser humano – igreja / ser humano – Deus, valorizando a razão e o antropocentrismo em vez da emoção e do teocentrismo. Pela primeira vez a literatura tornou-se acessível aos nobres e burgueses deixando de ser de domínio exclusivo do clero e isso junto com a invenção de Gutenberg , que contribuiu para a tecnologia da impressão e tipografia, possibilitou a publicação de obras em número jamais visto. Todas as artes durante esse período sofreram grandes alterações, na pintura os gênios renascentistas passaram a estudar a anatomia para poder representar de forma exata o corpo humano – músculos, veias, ossos etc., na música a transformação foi estrutural e ela passou a ser polifônica, na arquitetura a era das enormes catedrais góticas entra em declínio e posteriormente dá lugar ao estilo renascentista com inspiração greco-romano e na literatura muda-se o foco de atenção da escrita, antes dedicado exclusivamente aos temas religiosos, para, a partir de então, dar lugar aos temas ligados ao homem e a sua vida. Em Portugal o maior destaque desse período foi Gil Vicente justamente por sua obra ter um caráter universal e atemporal, ou seja, se se ler qualquer um de seus atos, seguramente essas histórias conseguirão ter ligação com livros, filmes, músicas e peças contemporâneas.
Fontes:
http://www.nomismatike.hpg.ig.com.br/
http://www.spiner.com.br/
http://www.profabeatriz.hpg.ig.com.br/
http://www.estudiologia.hpg.ig.com.br/
http://www.brasilescola.com/
http://www.pt.wikipedia.org/
http://www.educacao.uol.com.br/
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