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domingo, 27 de setembro de 2009

O Barroco



Introdução.



O termo Barroco denomina genericamente todas as manifestações artísticas dos anos 1.600 e início dos anos 1.700. Além da literatura estende-se á música, pintura, escultura e arquitetura da época.
O vocábulo “barroco”, de duvidosa etimologia, designava originalmente um tipo de pérola de forma irregular, ou, de acordo com a filosofia, um esquema mnemônico. Com o tempo passou a significar todo sinal de mal gosto, e por fim, a cultura própria do século XVII e do início do século XVIII.
O Barroco também é chamado de Seiscentismo por ser a estética dominante nos anos de 1.600 (século XVII).
Em Portugal o Barroco ou Seiscentismo tem seu início em 1.580 com a unificação da Península Ibérica, o que acarretará um forte domínio espanhol em todas as atividades, daí o nome Escola Espanhola, também dado ao barroco lusitano. O período se estenderá até 1756, com a fundação da Arcádia Lusitana, já em pleno governo do Marquês de Pombal, aberto aos novos ares da ideologia liberal burguesa iluminista, que caracterizará a segunda metade do século XVIII.





Momento Histórico.

O comércio e a expansão do império ultramarino levaram Portugal a conhecer uma grandeza aparente. Ao mesmo tempo em que Lisboa era considerada a capital mundial da pimenta, a agricultura lusa era abandonada. As Colônias, principalmente o Brasil, não deram a Portugal riquezas imediatas: com a decadência do comércio das especiarias orientais, observa-se o declínio da economia portuguesa. Paralelamente, Portugal vive uma crise dinástica: Em 1578, levando em diante o sonho megalomaníaco de transformar Portugal novamente num grande império, D. Sebastião desaparece em Alcácer- Quibir, na África; dois anos depois, Felipe II da Espanha consolida a unificação da Península Ibérica- tal situação permaneceria até 1.640, quando ocorre a restauração (Portugal recupara sua autonomia).
A perda da autonomia e o desaparecimento de D. Sebastião originam o mito do Sebastianismo (crença segundo a qual D. Sebastião voltaria e transformaria Potugal no Quinto Império). O mais ilustre Sebastianista foi se dúvida o padre Antônio Vieira.
A unificação da Península veio favorecer a luta conduzida pela companhia de Jesus em nome da contra-reforma: o ensino passa a ser quase um monopólio dos jesuítas, e a censura eclesiástica torna-se um obstáculo a qualquer avanço no campo científico-cultural.Enquanto a Europa conhecia um período de efervescência no campo cientifico, com as pesquisas e descobertas de Francis Bacon, Newton, entre outros, a Península Ibérica era um reduto da cultura medieval.
É nesse clima que se desenvolve e estética barroca, notadamente nos anos que se seguem ao domínio espanhol, já que a Espanha é o principal foco irradiador do Novo Estilo.





Características literárias.

Todo rebuscamento que aflora na arte barroca é reflexo do dilema, do conflito entre o terreno e o celestial, o homem e Deus (antropocentrismo e teocentrismo), o pecado e o perdão a religiosidade medieval e o paganismo renascentista, o material e o espiritual, que tanto atormenta o homem do século XVII.A arte assume, assim, uma tendência sensualista, caracterizada pela busca do detalhe num exagerado rebuscamento formal.
A produção literária é caracterizada principalmente por poesias e sermões de cunho religioso.
As poesias desse período tinham geralmente longos títulos explicativos.
O Barroco procurou conciliar uma síntese utópica a visão do mundo medieval, de base teocêntrica, e a ideologia clássica, renascentista, pagã, terrena, antropocêntrica.
Pode-se notar dois estilos no barroco literário: O cultismo e o conceptismo:
Cultismo: caracterizado pela linguagem rebuscada, culta, extravagante, pela valorização do pormenor mediante jogos de palavras, com visível influência do poeta espanhol Luís de Gôngora, daí o estilo ser também conhecido por Gongorismo.
Conceptismo: marcado pelo jogo de idéias, de conceitos, seguindo um racíocionio lógico, racionalista, que utiliza uma retórica aprimorada. Um dos princípais cultores do conceptismo foi o espanho Quevedo, do qual deriva o termo Quevedismo.

Um crítica do Padre Antônio Vieira ao estilo cultista:
“Se gostas de afetação e pompa de palavras e do estilo que chama culto, não me leias. Qundo este estilo florescia, nasceram as primeiras verduras do meu;mas vale0me tanto, sempre a clareza, que só porque me entendiam comecei a ser ouvido.(...) Este desventurado estilo que hoje se usa, os que o quere honrar chamam-lhe culto, os que o condenam chamm-lhe escuro, mas ainda lhe fazem muita honra. O estilo culto não é escuro, é negro, e negro boçal e muito cerrado. É possível que somos portugueses, e havemos de ouvir um pregador em português, e não havemos de entender o que diz?!”





Características da arquitetura.

Durante o período barroco, duas tipologias protagonizaram as pesquisas formais e construtivas: o palácio e a igreja. Os arquitetos barrocos entendiam o edifício de forma integrada, como se fosse uma grande escultura, única e indivisível. A sua forma era ditada por complexos traçados geométricos (muitas vezes baseados em formas curvas e ovais) que imprimiam qualidades dinâmicas aos espaços e às fachadas. Ao mesmo tempo, abandonaram os rígidos esquemas baseados na cultura clássica.A arquitetura caracterizou-se pelo uso de colunas, frisos, arcos e cúpulas. Como decoração recorreram a baixos-relevos, pinturas, mosaicos, mármores e talha dourada.










Características da Pintura.


Na pintura verificou-se, neste período, além da transformação estilística, o alargamento dos gêneros e das próprias dimensões desta forma de arte, de maneira a integrar organicamente os espaços arquitetônicos.
Esta atividade artística recorreu a cores quentes (amarelos, vermelhos, dourados), a jogos de luzes e sombras; arte do retrato intensificou-se.




Características da escultura.

Na escultura barroca procurou-se explorar o dramatismo das figuras representadas, tentando suscitar os sentimentos do observador.
Esta arte caracterizou-se pelo movimento, expressão de sentimentos fortes (dor, sofrimento, paixão) e pelo grande exagero das formas.



Obra de Aleijadinho com características barroca.




Produção literária.


Os dois principais autores o português Padre Antônio Vieira e o Brasileiro Gregório de Matos tivera suas vidas divididas entre Portugal e Brasil.

A Cristo Senhor Nosso crucificado, estando o poeta na última hora da sua vida


Meu Deus, que estais pendente em um madeiro,
Em cuja lei protesto viver,
Em cuja santa lei hei de morrer
Animoso, constante, firme, e inteiro.

Neste lance, por ser o derradeiro,
Pois vejo a minha vida anoitecer,
É, meu Jesus, a hora de se ver
A brandura de um Pai manso Cordeiro.

Mui grande é vosso amor, e meu delito,
Porém pode ter fim todo o pecar,
E não o vosso amor, que é infinito.

Esta razão me obriga a confiar,
Que por mais que pequei, neste conflito
Espero em vosso amor de me salvar.

Gregório de Matos



Outros nomes importantes em Portugal: D.Francisco Manuel de Melo, Padre Manuel Bernardes, Cavaleiro de Oliveira (Francisco Xavier de Oliveira), Matias Aires. Na poesia Francisco Rodrigues Lobo. Na historiografia Frei Luís de Sousa. Na epístografia Soros Mariana Alcofarado e no teatro Antônio José da Silva.


Cá neste monte estéril, seco e alto,

Para onde vim fugindo do castigo

Que em tantos montes deu tão grande assalto,


À vista do destroço e do perigo

Que me ameaça, estou continuamente

Fazendo estreitas contas só comigo.


Mas até neste estado descontente,

Aonde não tem lugar outra lembrança,

Sempre, senhor, na minha estais presente


Lá voa o pensamento e lá descansa,

Aonde vós, descuidado, descansais,

Se em tal tormenta alguém goza bonança!



Se lá não chega o eco de meus ais,

O sentimento e mal de minhas dores,

Que à vista das alheias crescem mais,

Os queixumes ouvi dos meus pastores,

Como algum hora, mais alegre, ouvistes

As graças e o louvor de seus amores.

E, pelo que em meus olhos sempre vistes,

Julgareis se fugi com força ou gosto

De quem (para mor mal) foge dos tristes.


Porém o couto é tal, aonde estou posto,

Que mais tem semelhança do tormento

Do que para os fugidos melhor rosto.


Graças ao meu provado sofrimento,

Que faz tão pouca conta do seu dano

Que ainda culpa o fado de avarento,


Lá vos envio Gil, Franco e Montano;

Eles darão sinal do que eu padeço,

Sem refolho, sem erro e sem engano.


O que há neste desvio vos ofreço:

O estilo, as palavras tão singelas,

A que tirou a arte a graça e preço.


Porém não dana ouvi-las e sabê-las;

Tirai-lhe a casca como a qualquer fruta

E então direis do fruito que achais nelas.


E, se algum dos censores que me escuta

(Que, por mais fundo vau que estê diante,

Sem asas quer passar com a roupa enxuta)


Disser que é ser pastor ser ignorante,

Nem as razões estão só no concerto,

Nem no vestir custoso o ser galante.


Vós que a verdade vedes mais ao perto,

Aceitai, Paiva ilustre, o meu cuidado,

Que vai qual sofre o mal deste deserto.

E, enquanto nele vivo desterrado,

Aonde nenhum prazer já me convida,

Me avisai se estais livre e descansado;

Terei prazer, descanso, gosto e vida.


Francisco Rodrigues Lobo.



Padre Antônio Vieira.


Nasceu em Lisboa em 1608. Com sete anos vem para a Bahia; em 1623 entra para a campainha de Jesus. Após a restauração (1640), movimento pelo qual Portugal liberta-se do domínio espanhol, retorna a terra natal, saudando o rei Dom João IV, de que se tornaria confessor.
Ninguém angariou tantas críticas e inimizades quanto o "impiedoso" Padre Antônio Vieira, detentor de um invejável volume de obras literárias, inquietantes para os padrões da época.
As Profecias constam de três obras: História do Futuro, Esperanças de Portugal e Clavis Prophetarum. Nelas se notam o sebastianismo e as esperanças de que Portugal se tornaria o "quinto império do Mundo". Segundo ele, tal fato estaria escrito na Bíblia. Aqui ele demonstra bem seu estilo alegórico de interpretação bíblica (uma característica quase que constante de religiosos brasileiros íntimos da literatura barroca). Além, é claro, de revelar um nacionalismo megalomaníaco e servidão incomum.
O grosso da produção literária do Padre Antônio Vieira está nas cerca de 500 cartas. Elas versam sobre o relacionamento entre Portugal e Holanda, sobre a Inquisição e os cristãos novos e sobre a situação da colônia, transformando-se em importantes documentos históricos.
O melhor de sua obra, no entanto, está nos 200 sermões. De estilo barroco conceptista, totalmente oposto ao Gongorismo, o pregador português joga com as idéias e os conceitos, segundo os ensinamentos de retórica dos jesuítas. Um dos seus principais trabalhos é o Sermão da Sexagésima, pregado na capela Real de Lisboa, em 1655. A obra também ficou conhecida como "A palavra de Deus". Polêmico, este sermão resume a arte de pregar. Com ele, Vieira procurou atingir seus adversários católicos, os gongóricos dominicanos, analisando no sermão "Porque não frutificava a Palavra de Deus na terra", atribuindo-lhes culpa.
Trecho do Sermão da Sexagésima, no qual o padre critica seus contemporâneos:
“Ter nome de pregador, ou ser pregador de nome, não importa nada; as ações, a vida, o exemplo, as obras, são as que convertem o mundo.”
Vídeo sobre o Padre Antônio Vieira.
Intróito do sermão da sexagésima onde Pe. Antônio Vieira se propõe a analisar de quem era a culpa por não frutificar a palavra de Deus:
Ora, suposto que a conversão das almas por meio da pregação depende destes três concursos: de Deus, do pregador e do ouvinte, por qual deles devemos entender a falta?Por parte do ouvinte, ou por parte do pregador, ou por parte de Deus?”




Referências bibliográficas:

MOISÉS, Massaud. A literatura Portuguesa. 30 ed. São Paulo: Cultrix.2004.

NICOLA, José de. Língua, literatura e redação. 13 ed.São Paulo: Scipione, 1998.

http://www.blogcatalog.com/blogs/poemas-poetas/posts/tag/francisco+rodrigues+lobo+-+poemas/

http://www.vidaslusofonas.pt/padre_antonio_vieira.htm

www.notapositiva.com/.../barroco.htm


Autores:
Camila Osti de Moura. RA: 110335
Esmara Gonçalves dos Santos. RA: 119390.
Nalzir Jesus dos Santos. RA: 147567.