quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Duo Benetiz no Festival Internacional Red Bull Sounderground





Wagner Ortiz e Evandro Benedito se conheceram numa roda de choro, cenário quase premonitório do trabalho que viriam a realizar juntos. O primeiro, flautista, e o segundo, violonista clássico, foram pouco a pouco encontrando um caminho juntos, até desembocar na mistura de música erudita e popular, principalmente o choro.

Assim como a formação da dupla, a escolha dos instrumentos se deu por acaso. Evandro conta que a vontade de fazer música começou com o rock, que o fez optar pela guitarra num primeiro momento, até migrar para o violão clássico. Depois, tocando em bandas de baile, foi se envolvendo com outros repertórios até ser tomado de vez pela riqueza da música brasileira. Já Wagner recorreu à flauta por pura e simples falta de dinheiro – o piano estava fora de cogitação. O choro veio pra eles depois, nas aulas da Universidade Livre de Música.

Da roda de choro às apresentações foi um pulo. E, de acordo com eles, mostrar o trabalho em lugares abertos ou ao ar livre é garantia de boas histórias. Para Evandro, “a possibilidade de inverter a ordem e levar a nossa música de maneira democrática para quem interessar é sempre uma experiência especial”, coisa que eles fazem sempre que podem.

Na memória ficam marcados alguns momentos, como quando apresentaram um repertório contemporâneo a um público acostumado a ouvi-los no choro, ou numa apresentação na Galeria Olido, no centro de São Paulo, lugar por si só propício a intervenções das mais variadas. Foi lá que uma pessoa do público pegou o microfone deles e não queria mais largar. Ainda na mesma Galeria Olido, eles foram interrompidos por uma dupla de palhaços caracterizados que aproveitaram a aglomeração de gente em função dos músicos para fazer um esquete cômico – mas tudo na mais perfeita paz.

Quanto à cultura busker, Wagner volta nos tempos da Corte portuguesa, quando as serenatas ocupavam esse posto, relembrando que o próprio choro nasceu assim, nas ruas. Hoje em dia, os coretos e espaços movimentados são a bola da vez, e afirma. “É só ir à praça da Sé, por exemplo, e logo se vê a reação das pessoas. Você começa a tocar e, de repente, se forma uma grande roda para assistir.”

Para o hábito conquistar ainda mais espaços públicos no Brasil, é questão de tempo. “O que nós, músicos e artistas, precisamos é de espaço e público. Então não tem lugar melhor do que o metrô!”, completa ele. Para dar seu recado no Red Bull Sounderground, a pedida do duo é misturar elementos eruditos, como sonatas e contrapontos, com um toque popular, no melhor estilo “conversa de botequim”, para prender o público pelas lembranças.

“É interessante observar o contraponto entre o acorde de um instrumento nos espaços públicos de uma cidade sempre com pressa, e como isso atrai o interesse e a atenção das pessoas quase que instintivamente. E somando a isso a alegria e a riqueza do choro, temos ingredientes saborosos para apreciação de qualquer público.” Falou e disse o flautista poeta.


ONDE ENCONTRAR O DUO BENETIZ NO METRÔ


DIA 08/11: - Das 17h às 19h: Estação Tatuapé (Linha Vermelha)
DIA 09/11: - Das 17h às 19h: Estação Ana Rosa (Linha Verde)
DIA 10/11: - Das 11h às 13h: Estação Sé (Linha Vermelha)
DIA 11/11: - Das 11h às 13h: Estação Luz (Linha Azul)

DIA 12/11: das 17h às 19h - Jam session final: Estação Paraíso (Linha Azul)




Duo Benetiz com o percussionista Bebê do Goes no Bar Jacaré
Foto: Fátima

Publicado originalmente no Site da Red Bull

Um comentário:

patt disse...

Que espetáculo!!!
Desejo muito sucesso e felicidades na caminhada! Grande abraço Wagner